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Tudo de novo a Ocidente

CACHO DOURADO DA INGRATIDÃO

António Brandão de Vasconcelos, republicano, senador, médico, agricultor,adepto da agricultura moderna servida de assalariados pagos com salário justo.Viveu  em Colares,Município de Sintra, onde decidiu terminar a vida, em Janeiro de 1934.Fundador entusiasta dinamizador da Adega Regional de Colares, com objectivo de garantir qualidade e preço de venda compensatório para o produto mais emblemático da região , o " VINHO DE COLARES ". Um dos grandes defensores dos interesses da região de Sintra.

Decorridos apenas três anos sobre  data do falecimento, em Julho de 1937 realizou-se em Colares   luzida festa,na presença do Senhor Presidente da República Óscar Carmona, com finalidade de  entregar ao rancho de Colares, no Outono de 1936, havia concorrido, a Festa Vindimária de Lisboa, onde ganhou troféu denominado  « Cacho Dourado »,porque a colheita dos vinhedos da região colareja, merecia tal distinção;  " o objecto entregue significa a imagem real e o símbolo venerador do fruto precioso que o nutre, dá saúde e riqueza a gente moradora neste lugar ", afirmou na ocasião o orador convidado Dr. Samuel Maia.

 

As festividades decorreram no pátio da Adega Regional, teve participação das bandas, União Sintrense, Escola Profissional da Paiã, Grémio Musical de Almoçageme, e da famosa fadista  Adelina Fernandes madrinha do rancho.  Individualidades presentes entre outras, Ministro do Comércio Teotónio Pereira, Governador Civil de Lisboa, Presidente da Câmara Municipal de Sintra,e pároco de Colares, senhor Padre José Barreto.

Nos discursos oficiais , Presidente da Câmara, saudou o chefe de Estado e membros do governo. Chefe de Estado,de improviso,fala de " Alberto Tota,  a alma da vila de Colares pessoa a quem se deve , em grande parte a organização da Adega Regional de Colares, bela obra, de um efeito social admirável ".Carmona abraçou  Alberto Tota,  assistência manifestou-se com uma prolongada salva de palmas, e muitos vivas.

Por último servido ao ar livre um Colares de honra a todos convidados e visitantes,A festa continuou com música foguetes,alegria boa disposição.

Ninguém lembrou a acção de António Brandão de Vasconcelos em prole da região de Colares e Adega Regional, evento,teve mérito demonstrar , mais uma vez , frequente é ingratidão e a inveja,por quem se esforça e trabalha em beneficio da comunidade...

foto da " festa"

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PETIÇÃO: AS CORTES REMETIDA DO LUGAR MAIS OCIDENTAL DA NAÇÃO

Revolução liberal de 1820, originou elaboração de nova Constituição em 1822,  conteúdo avançado para a época, no  capitulo único artigo I, nº16, estipulava, " todo  o Português poderá apresentar as cortes e ao poder executivo, reclamações, queixa ou petições, que deverão ser examinadas ". Este preceito constitucional, abriu caixa de " pandora " , os portugueses sempre foram " queixinhas " , vai daí quando entrou em vigor a Constituição, as cortes foram " inundadas " de petições reclamações e queixas de toda a índole.

Deparei  numa pesquisa  requerimento datado  24  Abril de 1822 remetido as Cortes,  por  moradora do lugar da Azóia, termo da Vila de Sintra, de seu nome Ana, casada com Isidro José " no qual se queixa do seu marido, que procurava meios de a maltratar, por andar amancebado, com Joana  Joaquina, casada com José Jorge, o qual está a par da situação, mas nada faz para a evitar, e por isso pede as Cortes que mandem o ministro da vila de Colares, informar-se do que se passa, e proceda conforme as leis mandam agir contra aquelas pessoas  que cometem semelhantes crimes".

 

Estamos perante um caso de violência doméstica como hoje se diz, e também  adultério. A  senhora estava desesperada,  confiava numa reação positiva dos deputados membros da comissão, respetiva das Cortes que examinaria o caso. 

 

A resposta chegou curta e sucinta para desgosto da infeliz Ana. " não compete as cortes, tratar destas causas, 27 Abril 1822 ".

 

Fica para História  petição escrita na Azóia do Cabo da Roca,  aldeia mais ocidental de Portugal e da Europa. A temática social mantem-se quase dois séculos depois.

TOPONÍMIA SINTRENSE - GIGARÓS

Quando se demanda antiga Vila de Colares, utilizando a denominada estrada velha de Sintra que sepenteia a falda da serra, borjando quintas vizinhas do parque de Monserrate, por altura do sitio da Eugaria, deparamo-nos com rua ostentando placa informando direcção: GIGARÓS.

O topónimo deve ser único em Portugal, por isso desde há muito investigamos no sentido de decifrar  significado. Percorremos encostas e várzeas das cercanias, finalmente conseguimos solução.

Sabido a aptidão das terras colarejas para produção de frutas e vinho. O transporte e acondicionamento daqueles produtos agrícolas (maçãs, limões e uvas), fazia-se desde época recuada em canastras ou gigas, normalmente redondas ou rectangulares, feitas de tiras de castanheiro, ou vimes.

O castanheiro abundava nas encostas da serra de Sintra, no termo da Vila de Colares, ainda hoje no sítio da Urca é possível, observar vestígios dos antigos soutos. O vime encontra-se nos terrenos adjacentes ao Rio das Maçãs.

 Em GIGARÓS confeccionavam GIGAS, vocábulo significa, localidade onde se faziam aqueles utensílios,e habitavam artesãos que os elaboravam.

Conseguimos objectivo sem ser necessário "arrear a giga".

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A IMPORTÀNCIA VINÍCOLA DE RIO DE MOURO - MUNICÍPIO DE SINTRA

Quando falamos em produção de vinhos no concelho de Sintra, o mais populoso da área metropolitana logo a seguir a Lisboa, vem a memória a região demarcada de Colares, todavia a importância vinícola, não se restringia ao rincão colarejo.

Antigamente o território sintrense produzia quantidade importante de vinho, destinado abastecimento da capital do País e também exportação. A qualidade do mosto digna de nota, permitiu  existência de numero significativo de produtores. Uma zona rica em vinho, freguesia de Rio de Mouro, incluía terrenos actualmente integrados nas freguesias de Agualva-Cacém e Algueirão Mem-Martins.

Historiadores como Pinho Leal e Esteves Pereira, reportam essa característica. O ilustre republicano Ribeiro de Carvalho, na  quinta do Zambujal situada no Cacém, produzia vinhos em qualidade e quantidade. Na quinta de São Pedro, onde  está o hipermercado Continente, Cemitério paroquial de Rio de Mouro na encosta do eucaliptal do Monte da Parada, estavam  plantadas videiras da casta sanguinhal. A vinha  manter-se-ia até a década 50 do século XX, quando a pressão urbanística começou a "arrasar" tudo.

Sendo verdade, parece lendário. Numa antiga casa quinta em Rio de Mouro Velho, tive ensejo de constatar a justeza da história: lagar de pedra, pipas de grande capacidade, utensílios para engarrafamento, diversos apetrechos relacionados com a faina vitivinícola guardados em espaçosa construção propositadamente erigida para adega, atestam a antiga actividade "báquica". Nas freguesias urbanas do concelho de Sintra o terreno foi chão que já deu uvas.

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"ANTIGAMENTE HAVIA MAIS RESPEITO PELAS COISAS E PESSOAS"

O titulo é idêntico a frase que inúmeras ocasiões ouvimos, quando alguém se refere a algo que causa estranheza e repulsa. Pretende-se afirmar os tempos hoje são menos propícios ao cumprimento da lei, regras da civilidade e convivência, há menos respeito pela propriedade etc.

Antigamente é que era bom.

São afirmações empíricas, não "resistem" a estudo ainda que pouco aprofundado da história. Quem investiga e segue metodologia adequada, deve fugir das "evidências", são sempre enganadoras.

Na segunda década do século XX, Mário Azevedo Gomes, insigne democrata republicano, professor catedrático no Instituto Superior de Agronomia,situado na tapada da Ajuda em Lisboa, grande estudioso da arboricultura horticula e silvicula, admirador de Sintra, nomeadamente do Parque da Pena, acerca do qual deu estampa monografia relevante, igualmente publicou em 1916 pequeno livro, incluído na colecção "os livros do povo" destinado a difundir conhecimentos úteis sobre várias temáticas no seio das classes populares.

Esse livrinho, intitulado "A UTILIDADE DAS ÁRVORES", contem na introdução relato de um episódio que o Professor Azevedo Gomes, presenciou na Freguesia de Colares, Concelho de Sintra, escreveu o "mestre": "Eu estava aqui há uns anos, no verão, em Colares-que é uma pequena povoação perto de Lisboa afamada pelo vinho e pela boa fruta, especialmente pecegos, que a região produz-quando ali foram um dia muitos indivíduos da capital, empregados do comércio creio eu, e talvez operários, para se divertirem; pois essa gente que por viver em Lisboa devia ser mais educada e respeitadora, não teve dúvida em andar lá por aqueles pomares, que quase não tem defesa, apanhando fruta aqui e além, como se ela lhe pertencesse; e, se já isto é um mal que todos percebem, ainda se fez pior: que foi, com a pressa de colher os frutos, partir ramos inteiros e esgarrar árvores novas, e portanto fracas, em termos de se estragar fruta naquele ano e de se colher menos, também, no futuro."

Elucidativo texto não necessita comentários. A nós quase todos os anos "apanham " cerejas produzidas por árvores que plantei na minha terra natal. Quem procede assim não são pessoas, é gente, a populaça só acata algo quando sente repressão. Ouvimos "eu tenho os meus direitos",é verdade e deveres ?  Essa gente danifica  jardins públicos, parques infantis, deixam os dejectos do cão no passeio e relvados, não colocam os sacos do lixos nos contentores, grafitam paredes de prédios acabados de pintar , sabe Deus com que sacrificio dos proprietários. etc... 

Afinal sempre foi apanágio  da gentalha, não respeitar nada e ninguém, só existe um caminho vigiar punir e educar.Não se diga no meu tempo era melhor ,porque... era mesma coisa, ou pior que actualmente, a natureza humana sem o afago da civilização é rude tosca propensa á rapina...

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RUMAR A SINTRA PARA FUGIR DOS ...PORCOS

Desvendamos um enigma acerca das razões que levavam, suas Majestades a procurarem estadias em Sintra. Além das particularidades de beleza e clima ameno da terra, existiam outras igualmente relevantes para rumar à encantadora Sintra. A "porcaria " de Lisboa, como se pode aquilatar por um edital da Câmara Municipal de Lisboa de 1798. O documento dá razão ao escritor  Eça de Queiroz, o qual em 1871, no livro"Uma Campanha Alegre (p.186,187) escrevia:

"Lisboa é a cidade mais suja da Europa. A própria Constantinopla, com o torpe desleixo turco, a própria Atenas, com a indolente miséria grega-são mais limpas:e se não fosse o Tejo que lhe faz uma certa toilette, e este sol maravilhoso que tudo a alegre e doura-Lisboa, aqui ao canto, junto ao mar, como um cano, seria a sentina da Europa"

Não admira a escolha de Sintra e seu termo, como local de morada e veraneio da Corte, nobreza e burguesia endinheirada. Primeiro as vilas de Belas Sintra, e Queluz com os seus palácios, depois as" insignes" quintas de Rio de Mouro e Colares. Para fugir duma cidade nauseabunda, nada melhor que o ar lavado, veigas de amena frescura e fertilidade característicos do território a ocidente da capital portuguesa, à sombra encantadora da serra do Monte da Lua ou Sintra. Leia-se com atenção a recomendação da edilidade Lisboeta, e meditemos na desdita para o povo constrangido a viver numa urbe onde varas de porcos "vadiavam" pelas ruas fossando na imundice. Nesta época as capitais europeias, alindavam-se graças a planos de urbanização, concretizados pelos governos respectivos, transformando-se em cidades modernas e salubres. O atraso de Portugal era endémico, as elites dirigentes um espelho da capital do seu império.

                                                             

 

EDITAL

 

 

 

 

UM SENADOR SINTRENSE

Médico e agricultor, dirigente associativo e politico o Dr.. António Brandão de Vasconcelos, nasceu na Beira Alta em 1866, falecendo tragicamente no seu palacete de Colares no dia 14 de Janeiro de 1934. Com grande prestígio local e nacional, fundador da Adega Regional, e Sindicato Agrícola colarenses, não admira que o seu funeral tenha sido acompanhado por milhares de pessoas, a pé até Colares, donde partiu um extenso cortejo automóvel em direcção ao cemitério dos prazeres em Lisboa onde está sepultado.

Brandão de Vasconcelos fez parte da Assembleia Constituinte de 1911, e posterirmente membro do Senado da República. Desiludido com o evoluir da situação política, renunciou ao mandato de Senador por carta enviada ao Presidente do mesmo, cujo teor é um testemunho notável, demonstrativo em parte, do seu carácter. Lido na sessão de 5 de Janeiro de 1916, deixamos aqui o seu conteúdo como preito a tão insigne Sintrense:

 

"Exmº Senhor Presidente do Senado. Nas mãos de V.Exª venho depor a minha renúncia a Congressista.

No início da passada sessão ordinária perante a dificuldade de conciliar os afazeres profissionais, e de lavrador em Colares, região de monocultura e que temerosa crise atravessa, com as funções legislativas, quis abandonar o Parlamento. Tendo porém surgido o conflito com o senado fiquei a acompanhar os meus colegas na reacção contra uma violência que me revoltava e que traduzia o nenhum respeito, que certos políticos tinham pela lei, pelo espírito e letra da Constituição, tentando transformar arbitrariamente e por meras conveniências partidárias o sistema bi-camaral em uni-camaral.

Agora já em um periodo execepcional de legislatura prorrogada resolvi retirar-me, lamentando a solução que teve a crise ministerial em que numa ocasião tão grave da vida portuguesa se constitue um ministério que em parte representa um desafio ao resto da nação que não comunga nas ideias Democráticas*, como se todo o País não estivesse interessado na momentosa questão da guerra europeia, como se não fosse todo ele que tem de pagar os enormes encargos que caíram e continuarão a pesar sobre as finanças portuguesas, para fazer face aos quais se vai lançar mão do agravamento da contribuição predial com a sua base iníqua de incidência cujas desigualdades a REPUBLICA TEM VINDO AGRAVAR.

Há muito que tenho a opinião de que a monarquia caíra muito pelos seus erros, mas também por falta de respeito por conveniências sociais. Infelizmente republicano antigo e como tal continuando a ser, vejo o mal não só deste ou daquele partido, deste ou daquele regime, é orgânico, é nacional.

Sem paixões partidárias, já velho para continuar na luta em vez de fazer como os meus colegas que não comparecem à sessão do Senado, resolvo retirar-me por uma vez, fazendo a toda esta câmara, a que vossa Ex.ª tão dignamente  preside e onde não sofri o minimo agravo pessoal as minhas  respeitosas saudações e despedidas

 

Saude e Fraternidade, Colares, 15 de Dezembro de 1915"

 

Quando terminou a leitura desta carta diversos senadores pretenderam intervir para manifestarem a sua opinião; o ambiente acalorou-se tendo o Presidente cortado qualquer possibilidade de intervenção, afirmando, por se tratar duma carta, o regimento não permitia discussão.

O Dr.Brandão de Vasconcelos  algumas ocasiões poderá, talvez, ter assumido posições menos correctas, no entanto, esta carta deveria servir de motivo de reflexão. Nos nossos dias os Parlamentares raramente renunciam, quando o fazem evocam motivos pessoais, e não discordância como o ilustre Senador assumiu.

 

*"democrático" foi a designação adoptada pelo PRP,Partido Republicano Português depois de 1910, face as diversas cisões verificadas no seu seio. 

AFINAL A AMADORA NUNCA FOI " PORCALHOTA"

Em alguns casos  a falta de investigação adequada ajuda a propalar, ideias e conceitos, sem fundamento. A origem do nome da cidade da Amadora é um deles. Normalmente afirma-se que aquele nome surgiu porque a população não gostava de habitar numa terra conhecida por Porcalhota.

A verdade é simples de explicar, basta ler com atenção o decreto de 28 de Outubro de 1907, publicado no diário do governo nº218 de 6 de novembro de 1907, cujo texto é o seguinte:

"Nos termos do artigo 3º, 4º e nº1 do Código Administrativo, e conformando-me com a consulta do Supremo Tribunal Administrativo: hei por bem determinar que a povoação constituída pelos lugares da PORCALHOTA, AMADORA e VENTEIRA da Freguesia de Benfica, do Concelho de Oeiras, fique tendo a denominação comum de AMADORA.

O Presidente  do Conselho de Ministros e Secretário dos Negócios do Reino, assim o tenha entendido e faça executar. Paço em 28 de Outubro de 1907= REI = João Ferreira Franco Pinto Castelo Branco".

No dicionário geográfico do Padre Luís Cardoso, editado em 1751,aparecem os lugares da Porcalhota e Venteira, referidos como localidades  diferentes. Não há dúvida que durante muitas décadas a Porcalhota por ficar junto á estrada para Sintra e Colares, assumia a categoria de lugar mais importante, no entanto, os outros estavam   dela separados e ostentavam topónimos próprios. O sítio da Amadora deve ter surgido nos princípios do século XIX,e tal qual a venteira, igualmente isolado do da Porcalhota. A Amadora  desenvolveu-se urbanística e economicamente, a ponto de suscitar o decreto acima transcrito. O lugar da Amadora sempre foi conhecido por essa designação, assim é correcto o que escrevemos no título.

Comprovando o que afirmamos, em 1906, um ano antes do decreto citado, foi aprovado pelo Governo incluir no número de estradas municipais de 2ªclasse a estrada da Amadora á estação da Porcalhota.uma prova que eram povoados distintos. Convém lembrar que a Amadora actualmente é uma das mais importantes cidades não só do distrito de Lisboa, mas também de Portugal.

 

O SINDICATO AGRÍCOLA DE COLARES FUNDADO EM 1930

Cumprem-se  neste mês de Maio de 2010, oitenta anos sobre a data em que foi instituída uma associação denominada: Sindicato Agrícola da

Região de Colares de acordo com os  Estatutos, entre outros, os seus fins eram os seguintes:

 

- Desenvolver os conhecimentos de moderna técnica agrícola,estabelecendo bibliotecas, cursos móveis, conferências, etc..

 

- Zelar pela pureza e genuidade da maior riqueza da  região :" o Vinho de Colares", fazendo cumprir o Regulamento da Região Demarcada, para o que a fiscalização do Estado e a Comissão de Viticultura de Colares estarão sempre  em intima colaboração com a Direcção do Sindicato.

 

- Constituir nos termos da lei,com Estatutos e fundos especiais, a Adega Social e Regional de Colares. 

 

Devemos esclarecer que estes Sindicatos Agrícolas eram diferentes daquilo que hoje se entende por organização sindical. O Sindicato Agrícola de Colares a exemplo de outros existentes por todo o País, assumiam o carácter de entidades compostas por agricultores  donos de terras e de nos quais se podiam filiar, também, indivíduos que não sendo agricultores possuíssem lavouras,tratava-se de associações de proprietários cuja  origem remontava à Carta de Lei de 3 de Abril de 1896, que a Lei nº215 de 30 de Junho de 1914 confirmou. Com a implantação do Estado Novo estes Sindicatos foram transformados em Grémios da Lavoura de acordo com "Organização Corporativa".

O Sindicato de Colares foi uma ideia de pessoas, profundamente empenhadas no progresso da agricultura no Concelho de Sintra. Um dos seus objectivos a criação da Adega Regional de Colares, como antes referimos, foi concretizado em Agosto de 1931. Este facto aliado ao falecimento do seu principal dinamizador o Dr.António Brandão de Vasconcelos e alguns desentendimentos entre os associados motivou a dissolução do organismo por despacho do Ministro da Agricultura, Rafael Duque, em 5 de Dezembro de 1936. 

Apesar de ter durado pouco mais que um lustro, o Sindicato Agricola teve um relevante contributo na defesa do Vinho de Colares, o que permitiu a sua permanência até aos nossos dias como um dos pilares da tradição vinícola do Concelho Sintrense. Por tudo isso os Fundadores  do Sindicato merecem ser recordados e assinalada a efeméride. Como singela homenagem  transcrevemos a Escritura de Constituição do Sindicato Agrícola da Região de Colares:

 

"No ano de mil novecentos e trinta, aos dois dias do mez de Fevereiro,na presença de Agostinho Heitor Chaves ,ajudante do oficial do Registo Civil em Colares, concelho de Sintra, reuniram-se os no fim assinados, Dr.António Brandão de Vasconcelos, de 63 anos de idade, casado, proprietário e médico municipal, morador na Sarrazola, freguesia de Colares;a firma social José Maria da  Fonseca, Sucessores, Limitada, proprietários na região de Colares, moradores no Banzão, freguesia de Colares; Bernardino Gomes da Silva, de 64 anos de idade, casado, proprietário, morador no Murraçal freguesia de Colares; Alberto Totta, de 48 anos de idade, casado, proprietário, morador nas Azenhas do Mar, freguesia de Colares; António Mazziotti França, de 25 anos de idade, solteiro, proprietário, morador em Colares; António Bernardinoda Silva, de 64 anos de idade, proprietário, morador nas Azenhas do Mar, freguesia de Colares; José Gomes da Silva, de 37 anos de idade, casado, morador em Almoçageme, freguesia de Colares; Joaquim dos Santos Samora, de 47 anos de idade, casado, proprietário, morador nas Azenhas do Mar, freguesia de Colares; José Bernardino da Silva, de 40 anos de idade, casado, proprietário, morador no Murraçal, freguesia de Colares; João Bernardino da Silva, de 29 anos de idade, casado, proprietário, morador nas Azenhas do Mar, freguesia de Colares; José Maria Tavares, de 31 anos de idade, casado, proprietário, morador nas Azenhas do Mar, freguesia de Colares e Francisco José de Barros Júnior, casado, regente agrícola e proprietário, morador em Almoçageme, freguesia de Colares, afim de lavrarem o presente título de constituição do Sindicato Agrícola da Região de Colares, que entre si resolveram organizar em conformidade com a Lei de 3 de Abril de 1896 e que se regerá também pelos presentes Estatutos".

 

Os Estatutos seriam promulgados pelo Presidente da República Óscar Carmona em 12 de Maio de 1930.

 

Estes elementos históricos resultam de investigações que efectuamos e que continuam. Por ser matéria relevante para um melhor conhecimento da História Local decidi partilhá-los com quem visita o meu "blog". Como curiosidade final, o Presidente da Junta de Freguesia de Colares nesta época era, José Francisco Amaral e o regedor da Freguesia  António Silva.

Prometemos voltar ao assunto. O 80º aniversário deste acto não passou despercebido graças a este texto, por isso DEVER CUMPRIDO.

Incluímos como "ilustração"a simbologia usada no papel timbrado para a correspondência do Sindicato onde por baixo do emblema se pode ler um poema de Guerra Junqueiro bem  apropriado á região de Colares.

 

OS PLÁTANOS DA VÁRZEA DE COLARES

Nas bermas da estrada de Colares, em particular na Várzea, junto à Adega Regional, existem numerosos plátanos de provecta idade e porte altivo que dão ao percurso um ar agradável em qualquer estação do ano.

 A  Adega Regional de Colares, foi instituída em 1930 como medida para se proteger a qualidade do vinho de Colares, que no dizer de Ferreira Lapa "era o vinho mais francês que possuíamos".No entanto, para aumentar a sua graduação os produtores misturavam-lhe aguardente transformando um bom vinho numa mistela...

 Ao tempo da construção da Adega já existiam os plátanos frondosos que hoje podemos admirar desde a ponte da Várzea até ao Banzão no caminho da "Praia". São exemplares centenários nos quais os automobilistas apressados nem reparam.

A sombra destas árvores protegeu a fermentação de muitos "caldos" de boas colheitas que estagiaram dentro da Adega. Merecem pois que brindemos à sua saúde esperando no futuro sejam devidamente apreciados.

Para isso no local deveria colocar-se um painel informativo, chamando à atenção para estas imponentes árvores.

Os plátanos da Adega Regional de Colares são um dos "monumentos vivos" que povoam o Município Sintrense.

Um verdadeiro ex-líbris da antiga e nobre Vila de Colares...

 

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