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Tudo de novo a Ocidente

PRECONCEITOS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

A propósito da desgraçada pandemia, alastrando em boa medida pela incompetência de quem devia cuidar debelar o mal, sem  conseguir.

  Assistimos a  plêiade de  "entendidos " , sem qualquer fundamento lançam labeu,acerca periferia de Lisboa, concretamente, concelho de Sintra,  traçando cenário onde segundo tais luminárias pulularia  multidão de indigentes, espécie lumpemproletariado;esquecendo, por exemplo na Freguesia de Rio de Mouro, desses terrificos sitios, está sediado , colégio   classificado em segundo lugar, do País a nível do ensino básico , frequentado por crianças , desta freguesia e restante concelho sintrense, netos dos aqui moramos há dezenas de anos, e aonde aprenderam os pais.

As escolas publicas no concelho e freguesia estão igualmente bem colocadas no ranking.

Os preconceituosos  esquecem deliberadamente, facto do casco urbano da capital cada vez mais " oco " de moradores indígenas, conter zonas  problemáticas social e economicamente, em grau superior as apontadas  por   tais  "excelências".

Nestas bandas está crescendo nova realidade; surgindo tempo , pós-pandémico.

Antes muito antes do vinho do Porto aspirar ser sol engarrafado , já  vinho de Colares, afirmava esse designio em 1936 No caminho do Ocidente sempre fomos precursores 

Continuai  a vossa lenga-lenga;  vozes de burro não chegam ao Céu.

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CAMPO ARREDOR DE SINTRA - DESCRITO POR FORASTEIRO EM 1906

Padre António Maria Rodrigues, natural de uma aldeia no concelho de Arganil.  distrito de Coimbra ; durante 30 anos, capelão professor e regente do colégio  escola profissional, da Quinta Regional de Sintra,  instalada na Granja do Marques, onde está Base Aérea nº1, e na Tapada das Mercês,  propriedades alugadas a herdeiros da Casa Pombal.Escreveu opúsculo intitulado " Apontamentos acerca da Agricultura em Portugal ",onde podemos colher preciosas informações sobre características agrícolas do campo no concelho de Sintra, principalmente, na Granja e campos envolventes.Datado de Maio 1906,  em parte reproduzo, actualizando a ortografia, conservando a grafia " CINTRA " porque gosto muito.

"Dois ramos da industria são característicos de Cintra; a confecção das famosas queijadas,e a venda de flores. Em Colares 7 quilómetros ao poente de Cintra,produz-se saborosa fruta, excelente vinho de pasto e obras de verga; mas este vinho conhecido em todo país e mesmo no estrangeiro, raras vezes se encontra no seu tipo genuíno, a não ser em casa do lavrador.

As grandes pedreiras de mármore em Pero Pinheiro , Lameiras ( ... ), constituem a principal fonte de riqueza do concelho ." 

Nesta época, qualidade do vinho de Colares, adulterada pela ganancia dos produtores, sabendo da facilidade de venda dos " caldos " colarejos,iam martelando a produção afim de venderem mistelas , desprestigiando a cada vez mais o vinho. A criação da Adega Regional de Colares, e acção do Dr. Brandão de Vasconcelos, permitiram  inextremis salvar a renome  do néctar das vinhas de Colares.O mármore já em 1906, principal fonte de riqueza do concelho.Continuando ,  Padre Rodrigues escrevia :

O visitante, ao retirar-se de Cintra,pela estrada de Mafra, notará logo de 2 quilómetros de distancia,o contraste que existe entre a pujante vegetação  do lugar que deixou e o aspecto desagradável do campo que vai descobrindo.

Aqui não só a vegetação nos matos é raquítica, mas as próprias árvores que orlam a estrada ( freixos, olmos, e choupos ), são mal  conformadas, inclinando-se para o sul, fustigadas pelo vento, quase permanente esta região.

A nortada, nossa conhecida, já na altura, "o pão nosso de cada dia"...

Os terrenos da lavoura,depois de realizadas as ceifas de trigos ou favais que são a cultura geral entre os saloios, apresentam uma vista escura, triste, alternando com grandes montes de pedra de algumas pedreiras abandonadas ou em exploração.

A figueira e a ginjeira, são as árvores frutíferas, melhor resistem, a macieira, e a pereira, estendem -se ao abrigo dos muros, acima dos quais não conseguem passar.

A água é muito calcária, a gente bastante laboriosa e morigerada, mas ainda ignorante.

 Referencia as pereiras em " bardo " e abundantes, corroboram  significado e origem da minha investigação acerca do topónimo Rinchoa.

Termino reafirmando interesse e beleza do texto , permite conhecer melhor a evolução campesina da nossa terra.

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PONTE DA VÁRZEA DE COLARES INAUGURADA EM 1969

Nem sei quantas vezes já transpus a pé e de automóvel a ponte da várzea de Colares na estrada de acesso a praias do litoral Sintrense,  principalmente, a das Maçãs , ou a " Praia " designação durante décadas se usava.

Para os Sintrenses, antigamente, ir a praia era  tão só a  das Maçãs.

Confesso ter ideia obra rodoviária actual seria mais vetusta, que realmente é. Afinal tal qual  conhecemos, a ponte abriu ao tráfego no dia 6 de Julho 1969,  sábado; assim sendo cumpriu-se meio século, daquela efeméride no passado 2019 . na ocasião noticia de primeira página no Jornal de Sintra:

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Oxalá continue  durante muito tempo  cumprir função de permitir acesso rápido e seguro a " Praia ".

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PLANO RODOVIÁRIO DE 1945 MUNICÍPIO DE SINTRA

O boletim oficial   " Diário do Governo ", I série - número 102 de 11 de Maio, inseria  plano rodoviário nacional , apresentado pelo Ministro das Obras Públicas e Comunicações, Augusto Cancela de Abreu; diploma estipulava a designação da estradas nacionais, do modo seguinte :

 - Estradas Nacionais de 1ª classe ( Itinerários principais).

  - Estradas Nacionais de 1ªclasse.

 - Estradas Nacionais de 2º classe.

 - Estradas Nacionais de 3ª classe.

 - Estradas Nacionais de 3ª classe ( Ramais ).

 A numeração até 100, destinava-se aos itinerários principais. De 101 a 200, as de 1ª classe, de 210 a 300. as de 2ª classe, de 301 a 400, as de 3ª classe.

No municipio de Sintra, segundo o plano , existiriam as estradas seguintes :

Estrada nacional 8, Cascais - Alenquer ( Cascais , Mafra , Torres Vedras , Alenquer.)

Estrada nacional, 117  ( Lisboa - Portas de Benfica - Queluz - Pero Pinheiro.)

Estrada nacional , 247  Peniche ( proximidades ) - Cascais, passando por , Porto de Lobos , Lourinhã, S. Pedro da Cadeira , Ericeira, Sintra , Colares, Cabo Raso, Cascais 

Estrada Nacional 249, Lisboa - Sintra , inicio em Benfica,passando por Amadora , Cacém- Sintra ( Estefânia ).

Estrada Nacional 250, Caxias- Sacavém, e pssagem por , Cacém,Caneças, Loures.

Estrada Nacional 375, Alcainça-Sintra, passando por estação de Mafra, Cheleiros, Odrinhas,Azenhas do Mar, Colares, Sintra.

Estrada Nacional 8-1 Ponte de Lousa - Pero Pinheiro ; passando por Almargem do Bispo. 

Estrada Nacional 9-1 Cascais , Malveira da Serra , Linhó.

Estrada Nacional 117-1 Queluz, Carnaxide , Algés.

Estrada Nacional 117-2 Pendão, Carenque.

Estrada Nacional 247-3 Pé da Serra , Sintra

Estrada Nacional 247-4, Azóia , Farol do Cabo da Roca.

Estrada Nacional  249-2 Massamá , Apeadeiro de Barcarena.

Estrada Nacional 249-3 Cacém , Leião, Porto Salvo, Paço de Arcos

Estrada Nacional 249-4 Estrada 249, Albarraque, Abóboda, S. Domingos de Rana , E.N.6-5  ( Sítio do Barão )

Estrada Nacional 250-1, Venda Seca, Meleças, Algueirão, Granja do Marquês

As rodovias referidas  ainda existem quase todas , para não se perder memória delas aqui fica o contributo.

Cabo da Roca terminus de uma das estradas.

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CACHO DOURADO DA INGRATIDÃO

António Brandão de Vasconcelos, republicano, senador, médico, agricultor,adepto da agricultura moderna servida de assalariados pagos com salário justo.Viveu  em Colares,Município de Sintra, onde decidiu terminar a vida, em Janeiro de 1934.Fundador entusiasta dinamizador da Adega Regional de Colares, com objectivo de garantir qualidade e preço de venda compensatório para o produto mais emblemático da região , o " VINHO DE COLARES ". Um dos grandes defensores dos interesses da região de Sintra.

Decorridos apenas três anos sobre  data do falecimento, em Julho de 1937 realizou-se em Colares   luzida festa,na presença do Senhor Presidente da República Óscar Carmona, com finalidade de  entregar ao rancho de Colares, no Outono de 1936, havia concorrido, a Festa Vindimária de Lisboa, onde ganhou troféu denominado  « Cacho Dourado »,porque a colheita dos vinhedos da região colareja, merecia tal distinção;  " o objecto entregue significa a imagem real e o símbolo venerador do fruto precioso que o nutre, dá saúde e riqueza a gente moradora neste lugar ", afirmou na ocasião o orador convidado Dr. Samuel Maia.

 

As festividades decorreram no pátio da Adega Regional, teve participação das bandas, União Sintrense, Escola Profissional da Paiã, Grémio Musical de Almoçageme, e da famosa fadista  Adelina Fernandes madrinha do rancho.  Individualidades presentes entre outras, Ministro do Comércio Teotónio Pereira, Governador Civil de Lisboa, Presidente da Câmara Municipal de Sintra,e pároco de Colares, senhor Padre José Barreto.

Nos discursos oficiais , Presidente da Câmara, saudou o chefe de Estado e membros do governo. Chefe de Estado,de improviso,fala de " Alberto Tota,  a alma da vila de Colares pessoa a quem se deve , em grande parte a organização da Adega Regional de Colares, bela obra, de um efeito social admirável ".Carmona abraçou  Alberto Tota,  assistência manifestou-se com uma prolongada salva de palmas, e muitos vivas.

Por último servido ao ar livre um Colares de honra a todos convidados e visitantes,A festa continuou com música foguetes,alegria boa disposição.

Ninguém lembrou a acção de António Brandão de Vasconcelos em prole da região de Colares e Adega Regional, evento,teve mérito demonstrar , mais uma vez , frequente é ingratidão e a inveja,por quem se esforça e trabalha em beneficio da comunidade...

foto da " festa"

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PETIÇÃO: AS CORTES REMETIDA DO LUGAR MAIS OCIDENTAL DA NAÇÃO

Revolução liberal de 1820, originou elaboração de nova Constituição em 1822,  conteúdo avançado para a época, no  capitulo único artigo I, nº16, estipulava, " todo  o Português poderá apresentar as cortes e ao poder executivo, reclamações, queixa ou petições, que deverão ser examinadas ". Este preceito constitucional, abriu caixa de " pandora " , os portugueses sempre foram " queixinhas " , vai daí quando entrou em vigor a Constituição, as cortes foram " inundadas " de petições reclamações e queixas de toda a índole.

Deparei  numa pesquisa  requerimento datado  24  Abril de 1822 remetido as Cortes,  por  moradora do lugar da Azóia, termo da Vila de Sintra, de seu nome Ana, casada com Isidro José " no qual se queixa do seu marido, que procurava meios de a maltratar, por andar amancebado, com Joana  Joaquina, casada com José Jorge, o qual está a par da situação, mas nada faz para a evitar, e por isso pede as Cortes que mandem o ministro da vila de Colares, informar-se do que se passa, e proceda conforme as leis mandam agir contra aquelas pessoas  que cometem semelhantes crimes".

 

Estamos perante um caso de violência doméstica como hoje se diz, e também  adultério. A  senhora estava desesperada,  confiava numa reação positiva dos deputados membros da comissão, respetiva das Cortes que examinaria o caso. 

 

A resposta chegou curta e sucinta para desgosto da infeliz Ana. " não compete as cortes, tratar destas causas, 27 Abril 1822 ".

 

Fica para História  petição escrita na Azóia do Cabo da Roca,  aldeia mais ocidental de Portugal e da Europa. A temática social mantem-se quase dois séculos depois.

TOPONÍMIA SINTRENSE - GIGARÓS

Quando se demanda antiga Vila de Colares, utilizando a denominada estrada velha de Sintra que serpenteia a falda da serra, borjando quintas vizinhas do parque de Monserrate, por altura do sitio da Eugaria, deparamo-nos com rua ostentando placa informando direcção: GIGARÓS.

O topónimo deve ser único em Portugal, por isso desde há muito investigamos no sentido de decifrar  significado. Percorremos encostas e várzeas das cercanias, finalmente conseguimos solução.

Sabido a aptidão das terras colarejas para produção de frutas e vinho. O transporte e acondicionamento daqueles produtos agrícolas (maçãs, limões e uvas), fazia-se desde época recuada em canastras ou gigas, normalmente redondas ou rectangulares, feitas de tiras de castanheiro, ou vimes.

O castanheiro abundava nas encostas da serra de Sintra, no termo da Vila de Colares, ainda hoje no sítio da Urca é possível, observar vestígios dos antigos soutos. O vime encontra-se nos terrenos adjacentes ao Rio das Maçãs.

 Em GIGARÓS confeccionavam GIGAS, vocábulo significa, localidade onde se faziam aqueles utensílios,e habitavam artesãos que os elaboravam.

Conseguimos objectivo sem ser necessário "arrear a giga".

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A IMPORTÀNCIA VINÍCOLA DE RIO DE MOURO - MUNICÍPIO DE SINTRA

Quando falamos em produção de vinhos no concelho de Sintra, o mais populoso da área metropolitana logo a seguir a Lisboa, vem a memória a região demarcada de Colares, todavia a importância vinícola, não se restringia ao rincão colarejo.

Antigamente o território sintrense produzia quantidade importante de vinho, destinado abastecimento da capital do País e também exportação. A qualidade do mosto digna de nota, permitiu  existência de numero significativo de produtores. Uma zona rica em vinho, freguesia de Rio de Mouro, incluía terrenos actualmente integrados nas freguesias de Agualva-Cacém e Algueirão Mem-Martins.

Historiadores como Pinho Leal e Esteves Pereira, reportam essa característica. O ilustre republicano Ribeiro de Carvalho, na  quinta do Zambujal situada no Cacém, produzia vinhos em qualidade e quantidade. Na quinta de São Pedro, onde  está o hipermercado Continente, Cemitério paroquial de Rio de Mouro na encosta do eucaliptal do Monte da Parada, estavam  plantadas videiras da casta sanguinhal. A vinha  manter-se-ia até a década 50 do século XX, quando a pressão urbanística começou a "arrasar" tudo.

Sendo verdade, parece lendário. Numa antiga casa quinta em Rio de Mouro Velho, tive ensejo de constatar a justeza da história: lagar de pedra, pipas de grande capacidade, utensílios para engarrafamento, diversos apetrechos relacionados com a faina vitivinícola guardados em espaçosa construção propositadamente erigida para adega, atestam a antiga actividade "báquica". Nas freguesias urbanas do concelho de Sintra o terreno foi chão que já deu uvas.

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"ANTIGAMENTE HAVIA MAIS RESPEITO PELAS COISAS E PESSOAS"

O titulo é idêntico a frase que inúmeras ocasiões ouvimos, quando alguém se refere a algo que causa estranheza e repulsa. Pretende-se afirmar os tempos hoje são menos propícios ao cumprimento da lei, regras da civilidade e convivência, há menos respeito pela propriedade etc.

Antigamente é que era bom.

São afirmações empíricas, não "resistem" a estudo ainda que pouco aprofundado da história. Quem investiga e segue metodologia adequada, deve fugir das "evidências", são sempre enganadoras.

Na segunda década do século XX, Mário Azevedo Gomes, insigne democrata republicano, professor catedrático no Instituto Superior de Agronomia,situado na tapada da Ajuda em Lisboa, grande estudioso da arboricultura horticula e silvicula, admirador de Sintra, nomeadamente do Parque da Pena, acerca do qual deu estampa monografia relevante, igualmente publicou em 1916 pequeno livro, incluído na colecção "os livros do povo" destinado a difundir conhecimentos úteis sobre várias temáticas no seio das classes populares.

Esse livrinho, intitulado "A UTILIDADE DAS ÁRVORES", contem na introdução relato de um episódio que o Professor Azevedo Gomes, presenciou na Freguesia de Colares, Concelho de Sintra, escreveu o "mestre": "Eu estava aqui há uns anos, no verão, em Colares-que é uma pequena povoação perto de Lisboa afamada pelo vinho e pela boa fruta, especialmente pecegos, que a região produz-quando ali foram um dia muitos indivíduos da capital, empregados do comércio creio eu, e talvez operários, para se divertirem; pois essa gente que por viver em Lisboa devia ser mais educada e respeitadora, não teve dúvida em andar lá por aqueles pomares, que quase não tem defesa, apanhando fruta aqui e além, como se ela lhe pertencesse; e, se já isto é um mal que todos percebem, ainda se fez pior: que foi, com a pressa de colher os frutos, partir ramos inteiros e esgarrar árvores novas, e portanto fracas, em termos de se estragar fruta naquele ano e de se colher menos, também, no futuro."

Elucidativo texto não necessita comentários. A nós quase todos os anos "apanham " cerejas produzidas por árvores que plantei na minha terra natal. Quem procede assim não são pessoas, é gente, a populaça só acata algo quando sente repressão. Ouvimos "eu tenho os meus direitos",é verdade e deveres ?  Essa gente danifica  jardins públicos, parques infantis, deixam os dejectos do cão no passeio e relvados, não colocam os sacos do lixos nos contentores, grafitam paredes de prédios acabados de pintar , sabe Deus com que sacrificio dos proprietários. etc... 

Afinal sempre foi apanágio  da gentalha, não respeitar nada e ninguém, só existe um caminho vigiar punir e educar.Não se diga no meu tempo era melhor ,porque... era mesma coisa, ou pior que actualmente, a natureza humana sem o afago da civilização é rude tosca propensa á rapina...

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RUMAR A SINTRA PARA FUGIR DOS ...PORCOS

Desvendamos um enigma acerca das razões que levavam, suas Majestades a procurarem estadias em Sintra. Além das particularidades de beleza e clima ameno da terra, existiam outras igualmente relevantes para rumar à encantadora Sintra. A "porcaria " de Lisboa, como se pode aquilatar por um edital da Câmara Municipal de Lisboa de 1798. O documento dá razão ao escritor  Eça de Queiroz, o qual em 1871, no livro"Uma Campanha Alegre (p.186,187) escrevia:

"Lisboa é a cidade mais suja da Europa. A própria Constantinopla, com o torpe desleixo turco, a própria Atenas, com a indolente miséria grega-são mais limpas:e se não fosse o Tejo que lhe faz uma certa toilette, e este sol maravilhoso que tudo a alegre e doura-Lisboa, aqui ao canto, junto ao mar, como um cano, seria a sentina da Europa"

Não admira a escolha de Sintra e seu termo, como local de morada e veraneio da Corte, nobreza e burguesia endinheirada. Primeiro as vilas de Belas Sintra, e Queluz com os seus palácios, depois as" insignes" quintas de Rio de Mouro e Colares. Para fugir duma cidade nauseabunda, nada melhor que o ar lavado, veigas de amena frescura e fertilidade característicos do território a ocidente da capital portuguesa, à sombra encantadora da serra do Monte da Lua ou Sintra. Leia-se com atenção a recomendação da edilidade Lisboeta, e meditemos na desdita para o povo constrangido a viver numa urbe onde varas de porcos "vadiavam" pelas ruas fossando na imundice. Nesta época as capitais europeias, alindavam-se graças a planos de urbanização, concretizados pelos governos respectivos, transformando-se em cidades modernas e salubres. O atraso de Portugal era endémico, as elites dirigentes um espelho da capital do seu império.

                                                             

 

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