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Tudo de novo a Ocidente

Praias da Comporta - A Costa do mosquito em Portugal- O mosquito Outra vez

Confesso! não queria escrever sobre isto, no entanto, tomei conhecimento pela "net" das declarações de uma Senhora, cujo nome desconheço, que teria afirmado, qualquer coisa do género: "vou para a Comporta, para brincar aos pobrezinhos". Soube mais tarde que a Senhora se retatrou considerando infelizes as declarações e pediu desculpa: assim bem. Sobre esta região, conheço um pouco da sua história,e características intressantes e resolvi partilhar:

No decurso da minha actividade profissional, quando exercia a função de técnico de electricidade, fui responsável pela electrificação da herdade da Comporta. Coordenamos a construção e montagem dos postos de transformação da Comporta, Torre e Carvalhal, tudo sítios pertença da herdade cuja  área é de cerca 20.000 hectares. Isto foi antes de Abril de 1974, o material ido de Lisboa era transportado para a Comporta via Grândola, por uma estrada de terra batida. A actual estrada vinda de Alcacer do Sal, terminava na Carrasqueira. A de Tróia, já chegava à povoação da Comporta,  estava alcatroada, porque se haviam iniciado as obras do empreendimento da Torralta.

Nesse tempo a designação da Comporta era: "Atlantic Company", no entanto já pertencia, aos actuais proprietários. A administração, exercida por um homem notável, distinto velejador, membro da família donatária. O metodo de gestão agricola da herdade, baseava-se em preocupações sociais, avançadas para a época. Os proprietários faziam "vista grossa" à construção, no interior da herdade, de novas habitaçoes de madeira cobertas  de colmo. Só na altura da electrificação,cujos encargos foram suportados integramente,pela "The Atlantic Company" se fez o levantamento das casas existentes, para impedir o aparecimento de mais,  instalarem-se contadores,todavia opreço da energia seria suportado pela empresa, gratuito para os moradores. A entidade responsável pela distribuição da electricidade a U.E.P, união eléctrica portuguesa foi integrada na EDP, na sequência da nacionalização do sector energético.

Na aldeia da Comporta, existiam escolas, fábrica de descasque de arroz, estabelecimento comercial para abastecer moradores duma extensa zona, e também, um aérodromo. Isto serve de preâmbulo, para manifestar a nossa preplexidade, pelo facto de gente endinheirada ter resolvido construir mansões, na Comporta e arredores, uma das regiões mais doentias de Portugal, sujeita a pragas de mosquitos em qualquer altura do ano. Não é possível permanecer ao ar livre à noite sem ser picado por insectos. Nas  "Cartas Elementares de Portugal", Bernardino Barros Gomes (1839-1910) escreveu: "o mau esgoto das águas junto à costa produz os pantanos da Comporta e uma forte tendência para a cultura de arrosaes, nas poucas baixas onde alfluem as águas mantendo com ella a insalubridade local".

Em face do descrito a Comporta é sítio para brincar mas... á  caça do mosquito.Este problema da proliferação de mosquitos não só aqui, mas também noutras regiões do País deve ser encarado com grande empenho e determinação pelas autoridades sanitárias, senão voltaremos a ter paludismo em Portugal, irradicado graças ao trabalho da estação para o controle da doença, instalada na povoação de Águas de Moura, situada,a exemplo da Comporta no distrito de Setúbal. O texto acima foi publicado aqui em Agosto de 2013. Hoje a imprensa falada e escrita, informa "testes laboratoriais confirmam virus  do Nilo no Algarve, revelou a Direcção Geral de Saúde (D.G.S.)." E no Vale do Sado ? Lançamos o alerta, o assunto é sério., não tenho o habito de escrever acerca do que não sei.Deixem de tretas do "um bloguer anónimo".A estupidez essa felizmente tem nome "soberba". 

@imagem de: pigsgetfedhogsgetslaughtered.blogspot.com

Com Porta ou Sem Porta. O mosquito entra sempre!

Neste espaço já referimos a  herdade da Comporta, manifestamos perplexidade perante uma muito bem urdida campanha publicitária fazendo crer sem dúvidas ser a propriedade  sítio impar para investimento e residência. A acção humana por mais perfeita e determinada não altera as condições naturais.

Nas cartas elementares de Portugal Barros Gomes acerca da região onde se situa a Comporta escreveu: "A grande evaporação estival, que eleva a produção das marinhas do sado muito acima de todas as mais do paíz, estrilisa a seu turno as areias das chãs e chapadas convizinhas, submetidas a seu turno de inverno a uma grande humidade costeira. A falta de terras altas confinantes traduz-se na completa ausência das virações frescas serranas, e na deficiência da condensação dos vapores atmosphericos, durante a estação calmosa. O estagnamento do ar, que nenhuns acidentes orográficos perturbam, produz nas noites serenas de inverno fortes geadas, abrangendo grandes areas e castigando a vegetação dos brejos mais mimosos de cultura".

A promoção feita em torno desta região, foi agressiva com auxilio da imprensa e televisão, oxalá  quem acreditou, não sofra desilusão. Neste como em outros negócios promovidos pelo grupo económico dono destas terras, vendeu-se quem sabe "gato por lebre".

A construção de um hotel de luxo no coração da "costa do mosquito", parou dificilmente será retomada, tudo se conjuga os ermos solitários, sem viva alma, característica dos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola,com de centenas de quilómetros quadrados superfície voltarão a ser "reis e senhores", desta região. Será possível controlar a mosquitagem recorrendo a insecticidas dispendiosos, no entanto não se pode modificar a topografia natural origem da insalubridade. A Comporta continuará o que sempre foi: doentia e remota paragem apropriada para edificar local de punição (presídio de Pinheiro da Cruz), cultivar extensos arrozais, proliferar mosquitos, ser estância de turismo de luxo!?.Na foto tipo de antigas habitações na herdade.

 

 

A "VELHINHA" AZENHA DE FITARES

A água da ribeira das Jardas acerca  da qual escrevemos alguns "posts" anteriormente, fazia mover várias azenhas construídas em diversos locais das suas margens. Como se sabe as pedras de moer das azenhas eram accionadas por uma grande roda exterior à casa  da moagem. Essa roda normalmente de madeira girava por força da água que caía de determinada altura sobre as pás. Para formar essa queda construíam-se represas e canais.

Hoje irei falar sobre a Azenha de Fitares. Onde ficava? A procura duma resposta a esta pergunta permitiu que fizessemos uma descoberta: a Ponte Medieval da Rinchoa além de possibilitar a passagem era utilizada como represa através da colocação de comportas, suportadas por ranhuras feitas nas paredes laterais da ponte como se pode verificar observando com atenção o local. Deste modo obtinha-se o caudal necessário ao funcionamento do moinho.

A azenha situava-se um pouco abaixo onde termina o Caminho de Fitares, que desce da Rinchoa e ladeia o edifício do Complexo de Piscinas da Câmara Municipal de Sintra. Os documentos que encontrámos indicam que em Abril de 1705, residiam na Azenha de Fitares, João Gomes e sua mulher Ana Francisca. A queda de água que podemos ver na foto é um testemunho das  obras  executadas para a construção da "moenda".

Quem passar no local, depois de ler este apontamento, por certo, vai achá-lo ainda mais encantador. Esta nossa terra tem muito para descobrir...      

 

 

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