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Tudo de novo a Ocidente

A ÉPOCA EM QUE TUDO ERA BOM

A ignorância é atrevida, não canso de repetir, é frequente deparar com tiradas demagógicas do género: "naquele tempo era bom", querendo realçar as  virtudes  da ditadura Salazarista, onde afinal tudo seria justo e perfeito.

Felizmente é fácil demonstrar a verdade dos factos, de então, e reafirmar apesar de todos os defeitos e insuficiências, Portugal apresenta actualmente níveis de desenvolvimento ímpares; se algo ainda falta, é a erradicação de resquícios de mentalidades, formatadas ao longo de décadas de obscurantismo, ausência de liberdade e Democracia.

No Jornal de Sintra nº 1528, de 30 Junho 1963, deparei-me com noticia relativa à localidade de Rio de Mouro, no Município Sintrense do seguinte teor:                                          

ariomuro2.jpg

Numa fase de vigor do regime ditatorial, Dr. Oliveira Salazar na frente do governo,  dirigindo pessoalmente a Guerra Colonial, Rio de Mouro localidade às portas de Lisboa, onde dia após dia chegavam cada vez mais moradores, muitos fugidos da miséria que então caracterizava o meio rural do nosso País. Fazendo fé na noticia apesar de tudo, conseguiu passar o "crivo" da censura, as carências eram de toda a índole, de tal modo "se intercedia junto das entidades competentes" para conseguir cabina telefónica, pública. Não foi há tanto tempo assim, ainda nem passaram 60 anos. Para os saudosistas do Estado Novo, nesse tempo tudo era bom...

FEIRA DAS MERCÊS TRADICÃO E MODERNIDADE

Chegado o mês de Outubro era tempo das pessoas da cidade e território envolvente, "mundo saloio", alfuirem a feira que desde 1780, conforme real decreto da Rainha de Portugal, Dona Maria I, se realiza no 3º e 4º Domingos do mês de Outubro.

Esteve quase a desaparecer, no entanto graças ao empenho da Câmara Municipal de Sintra e das Juntas de Freguesia de Algueirão Mem Martins e Rio de Mouro a tradição manteve-se.

A Feira era a mais importante de todo o distrito de Lisboa. A concorrencia de pessoas originou que quando foi construído ramal ferroviário do Cacém para Sintra, a estação das Mercês ficasse preparada para receber comboios especiais e funcionasse como estação terminal. Nos dias de Feira chegavam a partir da estação do Rossio em Lisboa sete comboios, além dos normais, o movimento originava formação de "bichas" dos passageiros ao saírem das composições.

O tradicional "muro do derrete" ou a "sala dos namorados", sempre muito concorrido, ali as moças sentadas, esperavam que os rapazes cheguem a fala e combinassem casamento, esta particularidade chegou até a década 1940.

A feira era local de diversão e "comes e bebes", a deliciosa carne de porco às mercês cortada directamente dos porcos esquartejados no local servia-se em tachos de barro. Durante muito tempo diversas figuras populares, tiveram nomeada:

O homem dos bigodes oriundo do Seixal, actor Carlos Velez teve restaurante e barraca de farturas.O "Pata Larga" dominava o negócio das louças. O "Jaime " do carrossel e muitos outros davam colorido e fama ao certame.

Tal como ainda hoje terminava com missa na ermida e procissão pelo recinto. A feira modernizou o "look", sendo  tradição genuina da região saloia, merece uma visita.

 

Moinho da Oca

Quem viaja no comboio de Lisboa para Sintra, passada a estação ferroviária da cidade de Agualva-Cacém no cruzamento da linha, quando uma via diverge para Mira Sintra Meleças e outra para Rio de Mouro através das amplas janelas da carruagem, poderá contemplar à esquerda na margem da ribeira da jardas, antiga quinta dos frades Loios, onde dependurada num arco alongado imitando rustíco campanário, sineta singela assinala o lugar da capela. Em plano superior destacando-se no matorral da charneca a silhueta cilindrica de um moinho de vento, o moinho da oca. Acerca deste engenho Leal da Câmara escreveu em setembro de 1944, na comunicação apresentada no Congresso da Rinchoa: "moinho sem velas nem capacete e que deixara de ser, há longos anos já, o árbitro do cantar e do sibilar dos ventos para se transformar, coitado!... em simples marco geodésico indicado nas cartas do estado maior com um pontinho especial que marcava o último apoio das linhas estratégicas de Torres"

A simpliciade duma construção que mirada de passageiro atento alcança, extinta a função inicial de moer o pão passou a "talefe" ou picoto base das coordenadas para elaboração de mapas e talvez testemunha silenciosa de acontecimentos relevantes ocorridos durante a guerra peninsular. Está apresentado, futuramente será visto com outros olhos?

 

ARTE EM ESPAÇO PÚBLICO - UM CASO PARA MEDITAR...

Quando procedeu á remodelação da estação ferroviária de Rio de Mouro - Rinchoa, a CP encomendou à Pintora Graça Morais uma obra para oferecer ao Munícipio de Sintra, e que seria colocada na Freguesia de Rio de Mouro para ser fruída pela população. Certo é passada quase uma década, o belissimo painel de azulejo continua a não ser admirado como deve, porque a Autarquia que devia zelar por isso, nada fez.

Em 23 de Março de 2007 na Assembleia Municipal referi o estado pouco cuidado da envolvência do painel, todos estiveram de acordo com os reparos e sugestões que formulamos ..e nada foi feito para melhorarar a situação...

A cidade de Bragança tem um Centro de Arte Moderna com o nome de Graça Morais como justo reconhecimento ao talento e trabalho desta

artista de renome mundial. Actualmente está patente naquele Centro uma importante exposição do grande Pintor Júlio Pomar.

Seria uma boa altura para a Camara Municipal de Sintra dignificar esta magnífica obra de arte, colocada em espaço público, e  que por isso deveria merecer os cuidados que permitissem a quem passa admirar a beleza do painel,e saber quem o idealizou. O conhecimento é parte integrante da cidadania. 

As imagens que deixamos falam por si: Colunas de iluminação, sinais de trânsito, paineis publicitários tudo permanece como se estivessem

a rodear um muro forrado de azulejo e não uma criação artística! Esta panóplia de obstáculos impede visualizar na sua plenitude, a composição pictória de cunho mágico e esplendorosamente solar, que Graça Morais criou...É uma dor de alma.

  

 

 

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