Parece algumas vezes por ocorrências trágicas que se vão verificado amiúde, determinados sítios,são cobertos por assombramento.
Na antiga estrada Lisboa Sintra, adiante da paragem do Alto do Forte,entre Rio de Mouro e Ranholas,diversos factos de final infeliz ali verficados,contribuíram para dar má fama aquele, durante seculos, um ermo.
O primeiro desses eventos , falecimento súbito de uma senhora viajante; sentiu-se mal, devido a solidão do lugar não foi possível socorro; seus filhos em memória desse infausto acontecimento, mandaram erigir cruzeiro que ainda lá existe.
No livro Mistério da Estrada de Sintra, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, colocam inicio do enredo a " meia distancia do caminho entre S.Pedro de Sintra e o Cacém, num ponto que não sabemos o nome (...), sitio deserto como todo caminho através da charneca".Sem dúvida no trecho do caminho que identificamos.
Na década de 1930, acidente de automóvel perto do local onde funcionou durante muito tempo a estalagem " A Toca ", vitimou jovem e talentoso escultor Roque Gameiro, e sua esposa. Este artista natural da Amadora era filho do celebre aguarelista do mesmo apelido.
No romance de José Cardoso Pires " A Balada da Praia dos Cães", o crime que serve de temática da obra, foi prepertado também por estas bandas.
Não sabemos assombração já terá passado; que dá que pensar lá isso dá...
Famoso albergue, conjunto hospedaria e restaurante, ficava sediado na Avenida Gago Coutinho, junto a Estrada Nacional 249, via ligação de Lisboa a Vila de Sintra.
Suponho terá funcionado , durante algumas décadas.Apesar de construção modesta ostentava aspecto distinto, colocação junto da entrada, placas de diversas instituições ligadas ao turismo, " recomendando " estadia; dava ao albergue certa aura de respeitabilidade.
O jardim, do espaço envolvente, apresentava aspecto cuidado. A fama acerca da frequência da hospedaria,talvez, por maledicência característica da " tuga gente " sugeria local de encontros furtivos, e românticas escapadelas,de amantes ocasionais.
Verdade está documentado, na Gruta do Rio, assim se denominava o albergue,costumavam albergar-se, autores literários editados por conhecida editora, funcionou largo tempo, não muito distante da estalagem.
Existe relato conheço de prestigiado autor, ali pernoitou , na noite das grandes cheias ocorreram , em Novembro de 1967, provocando grandes estragos, e centenas de mortos, na região de Lisboa. Apesar de correr próximo a Ribeira de Rio de Mouro, a hospedaria não sofreu dano algum.
O escritor em causa, na crónica escrita teceu elogios a comodidade do estabelecimento, simpatia dos empregados e do " estalajadeiro ".
No restaurante da " Gruta do Rio ", frequentado por viajantes e habitantes das redondezas que elogiavam a ementa e serviço , e sendo os preços praticados, não propriamente " populares ", nunca faltavam comensais.
Um dos pratos emblemáticos tinha nomeada, designava-se "bacalhau a gruta do rio" , não sei como seria a receita , infelizmente, nunca franqueei, a porta da albergaria, confesso, fiz tenção de experimentar o restaurante. Adiamento sucessivo, e as alterações, motivadas pela revolução de 25 Abril 1974, impediram cumpri-se o desejo.
A gruta do rio ainda funcionou alguns anos depois de 74, no entanto, problemas económicos e laborais, conduziram ao encerramento; resta hoje edificio algo decrépito, não deixando antever antiga prosperidade.
A gruta , entrou no esquecimento, fazendo parte da história e lenda da Vila de Rio de Mouro.