Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tudo de novo a Ocidente

In MEMORIAM DO FREIXO DA TALA

A nove de Abril de 2008, escrevemos nesta "tribuna":

"O freixo da Tala encontra-se junto da placa indicativa da localidade à esquerda da estrada vindo de Mira - Sintra". Encontrava-se porque a vetusta árvore do concelho de Sintra, definhou e teve de ser abatida.Resta a memória, e um vazio difícil de preencher no local onde há sete anos parecia ser "eterno".A placa toponímica  também desapareceu.A memória  do freixo da Tala,faz parte do acervo do "tudo de novo a ocidente", e só por isso a nossa labuta vale a pena.

P4203149.JPG

 

 

A ÁRVORE - ORNAMENTO E DISTINÇÃO

É comum  associar as árvores à produção de madeira frutos e a retemperadora sombra. Se outros atributos não tivessem, estes seriam suficientes para cuidarmos da sua conservação e respeitarmos quem contribui para nos alegrar a vista e purificar o ar que respiramos.

De vez em quando, deparamos com exemplares plantados em locais e situações que suscitam, imaginários pensamentos, sobre o porquê de tais ocorrências. Isto leva-nos para outro dos aspectos ligados as árvores: o mágico e o simbólico. Vem tudo a propósito de dois magníficos FREIXOS que ladeiam a entrada duma formosa quinta, situada próximo de Paiões na Freguesia de Rio de Mouro no Concelho de Sintra. Esta freguesia é a par da vila  sede aquela onde encontramos mais quintas.

Observando os freixos, podemos constatar serem de idade avançada visto os seus troncos se  apresentarem com o interior oco, como se pode notar no sopé.

A quinta é do século XVIII, devendo remontar aquela época, o plantio das árvores, cujos os fustes, quase iguais, permitem concluir terem idade semelhante. A quinta já teve vários proprietários na actualidade pertence a um estrangeiro.

Quando o seu primitivo dono plantou os freixos, parece ter tido a preocupação de os colocar  em posição de "guardiães " da entrada, e escolheu uma espécie de folhas sempre verdes, desse modo ideal para embelezar o acesso da sua propriedade.

Por ouro lado o freixo, simbolicamente representa, a perenidade da vida que nada pode destruir. A preocupação humana de deixar uma marca para além da passagem por esta vida. Como os freixos segundo antigas crenças servem para afugentar as serpentes, talvez se pretendesse resguardar a quinta dos perigos e  invejas. Quem sabe?

Uma coisa é certa estas duas árvores formam um conjunto distinto e ornamental que passa despercebido, para evitar isso, fica a imagem.   

AS ÁRVORES COMO SÍMBOLOS MÁGICOS

As árvores além da sombra e da madeira, proporcionam as populações outros motivos justificando o seu plantio em determinados locais. Algumas espécies como o TEIXO serviam  para assinalar os locais de enterramento dos fiéis junto de igrejas e Ermidas. Ainda hoje nas ASTÚRIAS, no Norte de Espanha, existem teixos milenares em adros e cercanias de templos.

Os Celtas consideravam o teixo uma árvore funerária. Outras crenças difundiram a ideia de que a sombra da figueira não é saudável porque segundo a tradição Judas que traiu CRISTO, enforcou-se numa.

Poderíamos evocar muitos outros exemplos, ficaremos pelas "mágicas" propriedades associadas aos FREIXOS. Referimos em anterior apontamento uma possível razão para se encontrarem estas árvores nas imediações dos locais de culto cristão. Deparámos  com um robusto provavelmente secular,  junto da IGREJA MATRIZ de Rio de Mouro no concelho de  Sintra, cujo orago é NOSSA SENHORA DE BELÉM. Este templo foi mandado construir no século XVI pelos Frades Jerónimos do Mosteiro da Penha Longa  fervorosos devotos da VIRGEM DE BELÉM.

O freixo que no presente se encontra na via pública deveria em tempos recuados estar no terreiro do adro. Segundo (Chevalier e Gheerbrant 1982) ao freixo atribuía-se a propriedade de afugentar as serpentes dos locais onde estivessem plantados.

Na Bíblia simbolicamente a serpente representa o pecado. Poderia ser esta outra das  razões porque se plantariam freixos na envolvente dos Templos. Pretendia-se que tais sítios estivessem resguardados dos "Pecados do Mundo",  para isso, um meio adequado seria recorrer ao "poder mágico" da árvore que as serpentes temem? O FREIXO é uma planta "virtuosa".

As árvores  são elementos indispensáveis para  compreender a cultura dos Povos.

Cada árvore notável  destruída é algo que não se pode remediar porque com ela se esfuma um pouco da nossa memória colectiva. Proteger as árvores é um  dever da CIDADANIA.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Curiosidades sobre o autor

Comentários - Alvor de Sintra

Quadros para crianças

Sites e Blogs de Interesse

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D