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Tudo de novo a Ocidente

TOPONÍMIA SINTRENSE - OLELAS

O significado do nome de lugares sítios e povoações, é campo fértil onde alguns por incúria e falta de investigação cuidada "semeiam" desconcertantes soluções.

Um dia no mês passado, com os meus amigos e alunos da instituição de "ensino" sénior onde todas as terças-feiras passo agradáveis e enriquecedoras horas, falando da história do Património,  visitamos uma  igreja do concelho de Sintra, sobre a qual escrevi anterior apontamento. Nessa ocasião troquei algumas palavras com um acólito da paroquia que juntamente com o reverendo pároco, tiveram amabilidade de nos  acompanhar na visita.

A propósito do "post" que inseri com significado do nome de Aruil, povoação da antiga freguesia de Almargem do Bispo do Município de Sintra, indagou se sabia  significado de Olelas. Respondi ainda não havia estudado, e não sabia.

Solicito interlocutor, informou que já ouvira a versão segundo a qual "em tempos antigos vivia no povoado, ermitão, pessoa "letrada" que ensinava a ler e escrever, fundou uma "aula" para o efeito, no entanto, porque os alunos eram muito poucos, o povo dizia que não era "aula" e sim uma " aulela",  pequena sem importância". Fiquei boquiaberto com a explicação, disse-lhe: não concordar. E para mim prometi estudar,  daí resultou : 

A povoação está situada numa encosta, quase cume da serra do Sabugo, de onde se desfruta  grandiosa e fantástica panorâmica sobre a Serra de Sintra, a meio caminho entre aldeia de Sabugo e  sede da paróquia São Pedro Apostolo. Geograficamente Olelas fica na extrema das antigas vintanas do Sabugo e Almargem do Bispo, dessa particularidade adveio o topónimo. Ao longo de séculos, vemos grafia de oullelas e oulella.

José Alfredo da Costa Azevedo, no  livro "Velharias de Sintra IV" na página 159, transcreve a memória paroquial elaborada pelo pároco da Igreja Matriz e Real Colegiada de São Martinho da Vila de Sintra em 1758, onde o reverendo na vintana do Sabugo, refere "OURELLA".

Esta informação foi decisiva no sentido da solução. Ourela, é espaço situado no contorno externo imediato de algo, aquilo que serve de acabamento a um tecido, margem ou beira, parte final,limite remate. Olelas, é corruptela de ourela, que significa extrema, sitio onde se demarcavam propriedades e juridições. 

Estamos esclarecidos, espero que ninguém considere este texto uma "aulella" pelo contrário pretende ser a separação entre  empírico e o fundamentado. 

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INSIGNE FILHO DE "SINTRA DO ALENTEJO"

Castelo de Vide assente em elevada colina rodeada de arvoredo frondoso, abundante em frescas águas, surpreendeu o Rei de Portugal D. Pedro V; deliciado com a paisagem na visita que fez a vila dia 7 de Outubro de 1867, segundo é voz corrente sua Majestade não encontrou melhor termo de comparação que Sintra daí  denominar o burgo "Sintra do Alentejo", assim ficou.

Aqui nasceu um dos mais brilhantes vultos da história de Portugal ,José Xavier Mouzinho da Silveira,  passou a eternidade, simplesmente conhecido por "MOUZINHO DA SILVEIRA". A acção política e cívica marcou para sempre a história da nossa Pátria, podemos afirmar as leis promulgadas pelo estadista, desmantelaram definitivamente o regime da monarquia absoluta. Não admira quando em 1832 por ordem dos Miguelistas, detido e encarcerado o mandado de prisão apelidar Mouzinho da Silveira: " o surdo e infame rebelde" alusão a surdez e facto de ter sido da maçonaria.

Faleceu em Lisboa no dia 4 de Abril de 1849,  determina no  testamento, vontade de ser sepultado na ilha do Corvo no arquipélago dos Açores, ou aldeia de Margem, concelho do Gavião distrito de Portalegre, no seu querido Alentejo. Considerava Mouzinho da Silveira, ambas terras se "mostraram agradecidas em vida " com a promulgação da lei da sua autoria que abolia os direitos senhoriais  sobre povo humilde daquelas localidades.  Seria sepultado na aldeia do concelho de Gavião, para onde o corpo foi levado conforme vontade expressa, "num caixão ordinário forrado de grossaria pregado e antes preparado de forma que possa sofrer a  viagem ou jornada sem incomodar os vivos, e o condutor o levará como se levam os caixões de mercadorias e pelo preço ordinário de fardos de volume igual" determinava quando chegar ao destino, "se terá o trabalho de avisar o pároco, para estar presente quando por dois homens de paga for conduzido ao cemitério numa padiola".

Respeitou-se a vontade do defunto. Finalmente a 15 de Junho de 1875, os restos mortais de Mouzinho da Silveira foram trasladados para jazigo construido por subscrição pública, no adro da igreja de Margem. Desde que conheci vida e obra deste grande Português, planeava visitar monumento onde está sepultado. Realizei esse objectivo, passado dia 1 do corrente.Permaneci em silencio alguns instantes contemplando a estátua, pensando, a fama é efémera, a glória eterna.

Mouzinho da Silveira escreveu: "Dou graças a Deus por ter nascido de pais que trataram de me radicar no amor da verdade e da justiça, no desprezo da vaidade do traje, e de qualquer ouro fausto ou afecção, e devo a isto o não ter tido nunca alguma ordem ou título". Seria  deste modo até ao fim, e depois da morte. Grande Homem, recordar o exemplo é dever de cidadania. O monumento funerário, quem puder deve visitá-lo.

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