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Tudo de novo a Ocidente

Rinchoa local de "memórias" e modernidade

Muita gente associa a Rinchoa, uma das mais airosas localidades do Município de Sintra, a Leal da Câmara que aqui viveu cerca de três décadas. O burgo no entanto foi moradia de outra gente igualmente ilustre, e refúgio de foragidos da segunda guerra mundial que aqui buscaram paz e tranquilidade. Igualmente a Rinchoa pela pureza do seu ar acolheu antes da descoberta de eficazes medicinas, adultos e crianças que buscavam cura para doenças pulmonares. Desse tempo "resiste" lembrança da pensão Maria Teresa, edificada perto do local onde hoje há um agencia do Banco do Estado. A Rinchoa é referida em obras de renomados poetas e escritores de Portugal. Fernando Assis Pacheco (1937-1995) no livro "cuidar dos Vivos" editado em 1963, deixou-nos: 

Quando  colho uma flor, sei que a entendo quase, Inebria-me                                                                             Recorda-me coisas, transforma as minhas noites é uma flor                                                                                   como há um sol e uma época em que a mãe nos traz dentro de si.                                                                       Mas sei também que em certas horas os carcereiros despem a farda                                                                   e vão á RINCHOA, e a Linda- a - Velha

comprar cestos á beira da estrada

com morangos e cravos. Não posso com tanta ironia

Para apreciar a Rinchoa é "mister" que as pessoas se dispam de preconceitos e venham fruir a paisagem e o bulício de uma terra mais povoada e melhor sortida de comodidades indispensáveis a um quotidiano citadino que várias cidades portuguesas, capitais de "distrito". A depreciação "chocarreira", em tempos propalada por alguns que ganham a vida fazendo "graçolas" não é justa nem apropriada e magoa aqueles que como nós aqui vivemos há muito tempo, não por "desgraça" e sim por gosto a uma terra que é a nossa. Da Rinchoa a vista alcança o oceano e por isso não é um subúrbio anódino, porque nos subúrbios nunca se vislumbra o mar. Actualmente no burgo está em curso um projecto de divulgação de arte pública aproveitando espaços livres nos muros e paredes para impedir a sua ocupação com "agressivos" grafites. Este "mural" mandado executar pela Junta de Freguesia de Rio de Mouro, é baseado em "cartão" de mestre Leal da Câmara inspirado nas antigas tradições da feira das Mercês que ainda se realiza na Rinchoa. O "bairro" brevemente, estará ainda mais bonito.

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Adeus Rua da Fábrica

A notícia apareceu,outra a adicionar a identicas de igual teor.Anuncia-se uma restruturação,efemismo de possível encerramento,relativos a fábrica de transformadores,existente há muitas décadas no Sabugo,freguesia de Almargem do Bispo ,concelho de Sintra.Duzentos postos de trabalho  em risco.Unidade fabril, do parque industrial do Sabugo,no qual laboravam diversas fábricas que foram fechando. Unidades destinadas a fabrico de fogões esquentadores,fundição,metalúrgicas,etc.Os operários afluiam diariamente, movimentando a estação de caminhos de ferro da aldeia.Os estabelecimentos fabris escolheram localizar-se onde fosse possível encontrar mão de obra barata e "dócil", porque muitos eram também agricultores a tempo parcial.Auferindo salários razoáveis,apareceu uma "aristocracia operária",com certo nível de conforto ,permitindo  proporcionar aos descendentes acesso instrucção diferente dos progenitores.As fábricas entraram no imaginario das povoações. Sucederam-lhe os filhos, depois alguns netos ,a fábrica  tinha vindo para ficar , justificava-se "eternizá-la",na toponímia.

As autarquias receptivas á vontade popular delibraram atribuir,á via de acesso ao local de trabalho,RUA DA FÁBRICA.

Com  o desaparecimento daquela o nome terá pouco significado.O fomento industrial do salazarismo irrompeu  nestas terras do oeste português ,na sequência da  adesão de Portugal em 1959 á Associação Europeia de Comércio Livre,EFTA, na designação inglesa.As particularidades referidas e  mercado protegido foram  "chamariz" que atraíu a Portugal, numero considerável de empresas,a maioria  já abandonou o País.No entanto venceu a ideia  dum movimento irreversível,as pessoas acreditaram.Não passava de quimera  Portugal rural,anafabeto obediente ao "chefe", evoluiu conforme esperado. Ouvimos  de novo "loas " ao trabalho agrícola e  virtudes da vida no campo.Para  bem e para  mal este é  tempo das cidades,da cultura urbana. Falta "demolir" as paredes que o Estado Novo ergeu. Entre  tradição e modernidade a agonia de Portugal continua.Adeus Rua da fábrica.Terminou o teu tempo?...

 

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