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Tudo de novo a Ocidente

Festa de Nossa Senhora das Candeias

No dia 2 de fevereiro,celebra-se uma das significativas festas do calendário litúrgico,a  festa da Purificação da Virgem Maria conhecida como festa da Candelária ou das Candeias.A efeméride recorda a apresentação no templo do Menino Jesus,levado pela Virgem Maria e São José,cerimónia  realizada quarenta dias após o nascimento do Menino;simbólicamente quarenta é o numero da espera e da preparação.Na Bíblia essa particularidade em diversos capítulos é citada:quarenta anos reinou David,o dílúvio durou quarenta dias, Moisés quando fez quarenta anos foi chamado por Deus.Jesus pregou ao longo de quarenta meses, apareceu aos seus díscipulos quarenta dias  antes de ascender ao céu.Quarentena o tempo que aguardava quem fosse suspeito de doença infecciosa,antes de poder entrar num determinado local.

Rosseau considerava conveniente para assumir o governo dum estado,ter quarenta anos;curiosamente a idade do Professor Oliveira Salazar ao ser empossado presidente do conselho ,em conformidade com a constituição política de 1933.

Candeia é sinónimo de vela círio tocha,pequeno aparelho de iluminação.Em tempos os participantes na festa de Nossa Senhora das Candeias,transportavam círios ou candeias.

Sem dúvida ocasião para glorificar a apresentação de Jesus no templo, figura sagrada,portador duma auréola de Luz luminosa, brilhante e pura.

Na região ocidental de Portugal a devoção mariana é muito praticada, a tradição dos círios,manifesta-se no culto a Nossa Senhora da Nazaré,Nossa Senhora do Cabo Espichel,e Nossa Senhora da Peninha.Existem no concelho de Sintra oragos como Nossa Senhora da Luz,em Cortegaça,união das freguesias de Almargem do Bispo Montelavar e Pero Pinheiro,ou Nossa Senhora da Purificação,de Montelavar, relacionados com as "candeias".

Este ano coincide com um domingo a festa será, porventura, celebrada com mais pompa.Dia da padroeira da vila de Mourão na provincia portuguesa do Alto Alentejo ,junto á barragem do Alqueva

TOPONIMIA SINTRENSE : RIO DE MOURO

 

O nome das localidades é difícil de decifrar, em alguns casos quando não há certezas recorre-se à "lenda" ou à "tradição" para justificar o que é duvidoso. Vejamos um exemplo: Rio DE MOURO no Concelho de Sintra. 

Uma das hipóteses inserida no "Memorial Histórico ou Colecção de Memórias Sobre Oeiras", vai no sentido seguinte:"Rio de Oeiras nasce acima do pequeno Lugar de Fanares, aqui lhe chamam rio das enguias, à saída da Quinta do Basto entra em uma ponte de boa cantaria por cima da qual passa a Estrada Real de Sintra. Aqui tem o nome de Rio DO Mouro, que o transmite a este lugar, onde segundo a tradição morreu o Mouro Albaráque Governador do Castelo de Sintra ou Cyntia, fugindo na ocasião da sua conquista por D.Afonso Henriques. Outros dizem que o dito Mouro, fora morto no Lugar que tem o nome de ALBARRAQUE e o enterraram nas margens deste Rio".

Para reforçar a "tradição" o autor alterou: Rio de Mouro para Rio do Mouro. Continuando: "Quase a chegar ao Sítio de Asfamil lhe dão o nome de Rio dos Veados. Passa pelo Lugar da Laje  e correndo com  nome de Oeiras...ele se mistura no Oceano".

A nossa versão,alicerçada no estudo da região onde corre o  curso de água demonstra que aqui, os topónimos Mouro e Mourão coexistem. Mourão deriva de "parede" "muro grande" e também de lajes de pedra que se colocavam verticalmente em redor das eiras para proteger o cereal do vento e dos animais. Essas pedras designam-se Mouros ,sendo utilizadas  nas vinhas para suportar as varas da empa das vides.

No caso do nosso Rio, desde tempos recuados os proprietários dos terrenos adjacentes, no troço compreendido entre a quinta da Preza e Francos, desviaram o curso obrigando o rio a correr entre Mouros ou Mourões de lajes e mais tarde entre muros  para aproveitarem as terras férteis de aluvião.

Esta obra hidraulica ainda hoje se pode observar:ver imagem. Deste modo, RIO DE MOURO  significa: RIO QUE CORRE ENTRE MOUROS ou MUROS ALTOS. A lenda não é mais forte que a evidência,só por falta de estudo se tem mantido. 

Neste caso, a lenda, como justificamos, é uma fantasia.  

 

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