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Tudo de novo a Ocidente

CREPÚSCULO DO "ALVOR"

No lugar de Paiões, freguesia de Rio de Mouro funcionou pelo menos até 1983, o preventório destinado a albergar, rapazes filhos de pessoas portadoras de tuberculose para os resguardar do contágio da doença dos progenitores.

O estabelecimento na dependência da Junta distrital de Lisboa, beneficiava de rendimento das casas dos bairros Dr. Mário Madeira, propriedade da junta,  situados na Pontinha e Urmeira.

 A "obra social Alvor" podia receber até 84 crianças entre os 5 e os 10 anos. Várias entidades e mecenas contribuíam para manutenção do "Alvor": fundação Cardeal Cerejeira, União das Juntas de Freguesia e General Costa Macedo.

Implantado num lugar "lavadissimo de ares " na actual rua que ostenta o nome da instituição, o preventório foi instalado em Paiões, pela fama de pureza benéfica para as doenças do foro respiratório, que goza a atmosfera  da freguesia de Rio de Mouro.

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Quando da revolução de 25 Abril 1974, a instituição sofreu vicissitudes, motivadas pelas sucessivas altercações do denominado  "PREC".

O decreto - lei 50/83  de 31 de Janeiro 1983, extinguiu a autarquia distrital,  integrou o   "internato de menores" denominado "ALVOR", situado em Paiões Rio de Mouro na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A partir dessa data, o lento período crepuscular iniciou-se e as instalações degradadas apresentam hoje o aspecto da imagem.

P5147460.JPG

 

O PINHEIRO DA FONTE

Foi um acaso de repente encontrei bordejando o antigo caminho da fonte, hoje seca, um majestoso centenário pinheiro manso, fazendo fé das informações dos vizinhos do lugar de Paiões, freguesia de Rio deMouro termo da vila de Sintra. Um deles afirmou que tendo nascido em 1938, sempre se lembrava do "pinheiro manso", já grande. Resistiu ao ciclone de 1941 as vetustas raízes regadas pela água da mina que alimentava a fonte, explicam o vigor e grossura do fuste e ampla copa sob a qual descansavam as moças nas idas à bica.

A artéria onde vegeta e serve de poiso a colónias de rolas que debicam nas pinhas os pinhões tem pouco movimento,  só os moradores sabiam da existência desta bela árvore, considerada símbolo da imortalidade devido a folha persistente e resina que segrega ser de incorruptibilidade conhecida.

O epíteto de "pinheiro da fonte" será a  referência identitária. Oxalá continue com exuberância vegetativa e resistência as intempéries para continuarmos a admirá-lo, parte integrante do passado da aldeia singular onde cresceu sem cuidados especiais e livre em espaço de todos. Monumento vivo prova  de amor  e bondade de Deus que se manifesta no carácter misterioso e divino dos prodígios da natureza desde a pequenina folha a mais imponente das montanhas.

 

 

ADÃES BERMUNDES UM ARQUITECTO SINTRENSE

O ilustre arquitecto Arnaldo Redondo Adães Bermudes, nasceu na cidade do Porto em 1 de Outubro de 1864 e faleceu em Sintra na aldeia de Paiões em 18 de Fevereiro de 1947, os seus restos mortais repousam no cemitério de Rio de Mouro.

Decorrendo nesta data, o dia dedicado aos sítios  a arte e memória que eles encerram, pareceu-nos adequado recordar este nosso conterrâneo e um dos seu projectos, junto ao mesmo passam diariamente centenas de pessoas e no qual nem reparam. Apesar de ter sido o primeiro prédio construído para rendimento que mereceu ser galardoado com o PRÉMIO VALMOR de arquitectura, no já longínquo ano de 1909.

O prédio situa-se na Avenida Almirante Reis, esquina para o Largo do Intendente, na cidade de Lisboa.

Ainda hoje apresenta um aspecto de modernidade e beleza, características do talento de Bermudes. Merece pois ser referido e admirado, como exemplo de algo que  sendo singular é intemporal.  

                                                                    foto publcada na "Ilustracção Portuguesa" em 3/5/1909

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