Quase meio século transcorrido , realizou-se na Vila de Sintra festa memorável comemorativa das bodas de prata da alternativa do famoso cavaleiro tauromáquico Manuel Conde, ilustre sintrense natural da localidade de Dona Maria, freguesia de Almargem do Bispo, e residente depois do casamento, no Algueirão também concelho de Sintra.
Na ocasião o homenageado, recebeu das mãos do Governador Civil do Distrito de Lisboa. Dr. Afonso Marchueta, comenda da Ordem da Benemerência. Do conjunto de actos relevantes, ocorridos na altura constou jantar, no salão amplo e confortável do Palácio Municipal de Valenças, com presença cerca de trezentos convivas , entre os quais mais destacadas personalidades da vida social económica e política do concelho .
Depois do jantar , servido por conceituada casa de Colares,iniciou-se sessão de fados na qual participaram artistas do mais alto " gabarito ", nas quais ressaltava Dona Maria Teresa de Noronha; todos acompanhados, a guitarra por Raul Nery , e viola Joaquim do Vale.
No entanto, inesperado estava para acontecer. Concluída actuação dos artistas do fado, Dona Maria Teresa de Noronha, convidou subir ao palco seu marido, Conde de Sabrosa, ao tempo presidente da Comissão Municipal de Turismo, para a acompanhar a guitarra.
Senhor Conde,entusiasmado pelo acolhimento da assistência, iria deliciar todos , com excepcionais variações de guitarra, instrumento que era exímio executante sendo considerado um mestre.
Surpresa inédita; o distinto fidalgo, não tinha hábito de exibir em público a sua classe enquanto guitarrista.
Quem assistiu dizia ter sido um delírio. Não sei alguma vez mais o simpático aristocrata voltaria repetir actuação semelhante.
Enfim! sarau fadista inesquecível.
Começam a falar do Natal, deixo a "minha " árvore deste ano.
No remoto ano de 1937 meios de informação difundiam notícia : " Sintra esteve em festa mais uma vez. A Câmara Municipal, inaugurou o seu Parque Municipal, propriedade antiga que pertenceu aos condes de Valença ".
O acto estava programado para se revestir de pompa, incluindo almoço de gala no salão nobre do Palácio Valenças, onde actualmente reúne Assembleia Municipal.ao repasto deveria presidir o Presidente da Republica General Óscar Fragoso Carmona ; escrevi deveria porque não aconteceu, culpa de acontecimento inesperado, e que marcou esse dia 4 de Julho.
Com efeito, quando o automóvel que transportava Dr.Oliveira Salazar,parou pelas 10 horas e 20 minutos, junto do prédio nº 96 da avenida Barbosa do Bocage em Lisboa,residência do Dr.José Torcato,em cuja capela Salazar, todos os domingos assistia a missa, no momento que o Chefe do Governo pisava passeio ouviu-se grande explosão, fez ir pelos ares a placa central da avenida e estilhaçar vidraças das habitações das redondezas.Salazar saiu ileso, os autores do atentado, erraram cálculos.
A ocorrência suscitou consternação no País.Em Sintra como Presidente Carmona tardava individualidades presentes, decidiram almoçar, sem a sua presença .
No entanto, pelas 15 horas Carmona , chegou, justificando atraso, pela visita a Oliveira Salazar para se inteirar do seu estado.Inaugurou oficialmente o parque dando pequeno passeio no interior, felicitou o presidente da Câmara Dr. Álvaro Vasconcelos pelo melhoramento , nas suas palavras, muito valorizava a Vila.
Estavadecidido se denominaria Parque Municipal de Sintra,no entanto atentado premeditado contra Salazar, levou Sintrenses mais acérrimos defensores do Estado Novo, iniciativa do Dr. Augusto Mantero,alvitrar que o parque fosse PARQUE SALAZAR. foi até 1º de Maio 1974, nesse dia multidão de cidadãos, deliberou, deveria ser PARQUE DA LIBERDADE; asim está, até hoje.
Cumpri dever de serviço publico deste blogue ; quase ninguém sabia coincidência da inauguração e do atentado.