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Tudo de novo a Ocidente

Amados Choupos.

Quando surge oportunidade retorno ao pequeno choupal onde em diversas ocasiões largava o fiel amigo cão companheiro de passeatas, que infelizmente morreu.

Adoro o bosquete composto de choupos altivos que sobrevivem no município português de Sintra, no meio de zona densamente povoada. Resistiram as arremetidas da nortada, os troncos mostram a inclinação provocada com a força do sopro de "eolo". No amargurado quotidiano português ao entardecer o renque das arvores alinhadas, contribue para proporcionar sensação dum tempo crepuscular, pressentida mas inexplicável. Simbolicamente árvore ligada ao declínio e a morte, segundo várias correntes iniciáticas a madeira do caixão de Jesus Cristo seria de choupo. Na mitologia grega  do choupo obtinha-se a única lenha apropriada aos sacrifícios oferecidos a zeus. Relativamente ao porvir acuidade é porventura maior se contemplamos um choupo, o escuro das folhas, em vez de esperança remete-nos para as recordações. O triunfo do capital desbragado e corruptor, abriu caminho a colocação em cargos de decisão, de índividuos detentores de credenciações concedidas não por mérito mas por traficância mercantil. Alcandroados em postos de mando não sabem  que fazer dessa inépcia resultam angústia, desespero e  miséria, envolvendo  o "orbe" qual pandemia.

Amados choupos austeros inspiradores, já não há esperança? A dor sacríficio e lágrimas, as quais os deuses vos associaram estão aí, caminhamos no meio da ulmácea alameda a luz do sol filtrada na ramaria que vento sacode, repete reflexos luminosos na erva seca do chão. O pensamento leva-nos as palavras de R. Tagore "Meu PAI permite que a minha Pátria acorde"se despertar, talvez, o pesadelo termine.

 

ACIDENTE NA ESTRADA DE LISBOA PARA SINTRA EM 1961

As alterações sociais económicas e políticas, que ocorreram em Portugal nos últimos 50 anos são de tal monta que actualmente os que viveram esses tempos têm dificuldade em explicar alguns aspectos do quotidiano da época. Não só, no interior do País se podia constatar a ruralidade da vida, mas também, na área circundante de Lisboa isso se verificava o teor duma  notícia publicada na imprensa da época é  exemplo elucidativo:

"Na recta do Papel no lado do Cacém, na estrada que vai para Sintra, um automóvel colidiu violentamente com a traseira dum carro de bois. Os animais espantaram-se e foram embater noutro automóvel. Balanço estragos materiais, um dos bois abatido e dois feridos hospitalizados".

A recta do Papel corresponde na actualidade ao troço do IC19 entre o posto de abastecimento de combustíveis do Cacém e a curva antes da saida para Tercena e Massamá. Quem hoje circula nem "sonha" que seria possível o envolvimento dum carro de bois num acidente rodoviário no local, há menos de cinquenta anos. É curioso, dá que pensar, com velocidade que a maioria dos veículos atinge, se surgisse um carro de bois, por certo os bovinos morriam ambos. 

 

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