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Tudo de novo a Ocidente

RECORDANDO CAMINHO PARA A MISSA E QUEM O RESGATOU:

Durante gerações o antigo caminho da missa, guiou os fiéis das aldeias de Albarraque, Serradas e Covas até a igreja matriz de Nossa Senhora de Belém, em Rio de Mouro, Sintra.

Esquecido pelo tempo e coberto  de mato e silvados, chegou a tornar-se intransitável. Todavia a memória de um povo não se apaga. Assim sucedeu também neste caso.

Pela iniciativa  e persistencia do então presidente da Junta de Freguesia, Alexandre Bruno Parreira, o caminho seria limpo,e devolvido em condições á comunidade.

Um gesto simples. carregado de profundo significado. Quem cuida da história, honra as suas raízes, dá sentido ao futuro,e merece a nossa gratidão.Neste caso a minha será eterna.

Aspecto do caminho da missa como o fixei há alguns anos ; parece foi ontem.

caminho misase.jpg

RIO DE MOURO - SINOPSE AFECTIVA

Sendo das mais antigas autarquias do concelho de Sintra, Rio de Mouro é uma freguesia,  ostentando marcas do tempo,  da "patine" da história e da evolução social e política.

As raízes da localidade remontam a épocas longínquas onde desempenhou papel significativo no desenvolvimento da região, consequência da sua posição estratégica e do dinamismo do seu tecido social.

Historicamente, terra de passagem onde existia fortificação para  defesa de caminhos e também zona de cultivo com quintas e terrenos agrícolas, cuja produção abastecia Lisboa e arredores.

As antigas quintas senhoriais, ermidas e coberto vegetal,são testemunhos do passado onde a ruralidade, comércio, e o lazer da nobreza coexistiram. Ao longo dos séculos a freguesia soube adaptar-se á mudança,todavia, mantendo peculiar identidade.

Actualmente além de freguesia tem o titulo honroso de vila, sendo das mais populosas do País, exemplo de crescimento urbano, com grande diversidade social. 

A proximidade de Lisboa, a facilidade de acesso quer através da linha ferroviária electrificada, e das rodovias auto-estrada A16, que conjuntamente com o itinerário complementar 19 (IC19), garantem escoamento do maior volume de tráfego automóvel, de Portugal inteiro.

Rio de Mouro transformou-se num pólo residencial onde milhares de residentes, ainda tem ligação equilibrada entre a cidade e a natureza, de que o parque urbano da Rinchoa-Fitares é relevante exemplo.O crescimento urbanístico foi acompanhado por forte aposta em infraestruturas, no campo da educação, saúde, cultura, associativismo, transportes, forças de segurança ..., tudo que são pilares essenciais do quotidiano da comunidade.

Mais do que ponto referenciado no mapa Rio de Mouro exemplifica uma ponte intergeracional , entre  passado agrícola e presente urbano citadino.

A importância de Rio de Mouro fundamenta-se não só na memória que preserva, mas também na capacidade de reinventar mantendo indiscutível relevância concelhia ,regional e nacional.

Nas suas avenidas , ruas, escolas , pólos culturais , associações, estabelecimentos comerciais e industriais, na feira das Mercês, vemos reflexo de uma freguesia que não esquecendo as raízes, caminha firme para o futuro .

Rio de Mouro, vila, freguesia , urbe, a nossa , minha terra do coração ; gosto de morar aqui, já passaram  cinco décadas, e parece cheguei ontem. Acreditamos, malgrado o muito já realizado, e aquilo que é mister fazer ainda, Rio de Mouro será cada dia no provir uma terra onde é bom viver.

 

TONONIMIA FONTE DE CONHECIMENTO

Covas antiga aldeia, localidade pitoresca da freguesia de Rio de Mouro, Município de Sintra,recebeu essa designação porque nela se situavam em tempos idos, silos onde se  guardavam os grãos cerealíferos colhidos, principalmente, na área de PAIÕES.

Verificamos há pouco, até a década 1970, a cumeada das colinas onde edificaram a povoação, albergava numero significativo de moinhos de vento.

Tudo vem confirmar aquilo que já referimos neste blogue.O cereal produzido em Paiões, transportado depois para as "tulhas" das Covas, seria finalmente reduzido a farinha, nas moendas, construidas " a boca dos silos ", tudo perfeito e coerente. A toponímia é manancial de informação a ter em conta.

Foto de 1970 com dois dos moinhos das Covas.

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FACTO POUCO CONHECIDO DA HISTÓRIA SINTRENSE

O jornal de Sintra nº 1289, de 1958, na primeira página, publica noticia com grande titulo,relativa a possível, construção de um novo campo de aviação, destinado aviação de turismo e desportiva.

Ficamos a saber em 30 de Maio de 1910, ainda na vigência da Monarquia,seria criada comissão encarregada de procurar nas proximidades de Lisboa local para aeródromo do Aero Clube de Portugal.

Vinte anos mais tarde o Ministro da Guerra, autorizou funcionamento da escola de pilotagem do aero clube, no aeródromo da Quinta da Granja do Marquês, ai se manteria até aquela data.

Era urgente a mudança para outro sitio,e dessa escolha, ficou logo excluído o Aeroporto de Lisboa, já com grandes problemas com tráfego naquela época.

Aero clube optou em 1956, por terrenos situados entre Rio de Mouro e Ranholas, imediatamente a sul, da estrada Lisboa-Sintra, onde actualmente existem  instalações comerciais e grandes superfícies do mesmo ramo.

Área de aterragem do futuro aeródromo teria duas pistas, com extensão de 800 metros,e possibilidade de ampliação até 1200 metros.

Infelizmente, o projecto não vingou em Sintra, acabando por ser construido num concelho vizinho sendo inaugurado em 1964.

A interrogação que a noticia dava ênfase,teve resposta: Não.

O concelho de Sintra, neste caso não ficou a ver navios,mas a ver passar aviões de turismo. Enfim é a vida como diria  outro...

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IMPÉRIO DO ESPRITO SANTO EM RIO DE MOURO

O culto do Divino Espírito Santo, teria sido trazido para Portugal, pela Rainha Santa Isabel, esposa do Rei D. Dinis.
Como património para usufruto da Rainha, o marido concedeu diversas Vilas do Reino, entre elas Sintra e  Alenquer, onde se fundaram vários "Impérios", encarregues de difundir culto do Santo Espírito,impulsionados pelos frades Franciscanos.

Em Sintra,uma das Vilas doadas a Rainha Santa Isabel,a devoção enraizou-se,  permanecendo,ainda hoje,muito adulterada na aldeia do Penedo, freguesia de Colares.  com grande fervor nas ilhas dos Açores, e  diáspora Açoriana, por todo Mundo.

Além do império, subsiste no Penedo, existiu no concelho de Sintra,pelo menos outro, na antiga freguesia de Nossa Senhora de Belém, de Rio de Mouro; cujas cerimónias se realizavam na ermida de Nossa Senhora das Mercês.

Curiosamente, na capela do Penedo, embora ,vulgarmente, apelidada de Santo António, como sabemos  monje franciscano, é templo da evocação de Nossa Senhora das Mercês

Luís Cristiano Cinatti Keil,filho do compositor, pintor e poeta Alfredo Keil, autor da musica do Hino Nacional; e muito ligado ao desenvolvimento da Praia das Maçãs.

Luís Keil,  Director do Museu Nacional de Arte Antiga, investigador e historiador, publicou, na Revista "A ÁGUIA", numero Dezembro 1917, estudo sobre o império do Penedo. Em nota de roda pé informa " nas Mercês próximo de Rio de Mouro, coroava-se  também uma imperatriz ".

Ficamos cientes da existência de um império do Espírito Santo, Rio de Mouro, freguesia a qual até década 1950, pertenceram  lugar e capela de Nossa Senhora das Mercês.

Outra particularidade, demonstra uma vez mais ligação,existiu ao longo dos séculos entre Rio de Mouro e sede do concelho, fazendo deste território, um dos que mais proximidade social e religiosa teve com a Vila de Sintra, a cujo, termo sempre pertenceu.

Desenho da mesa do bodo do Penedo , autoria Luis Keil, que ilustra estudo citado.

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LAVADOUROS DA ALDEIA

No tempo em que não dispunham de abastecimento de agua domiciliaria, e talvez ainda nem se ouvia falar em maquinas de lavar. As populações rurais, aproveitavam agua de riachos ribeiras e rios para lavarem as parcas roupas do seu " bragal".

A tarefa da lavagem era trabalho destinado exclusivamente as mulheres.Situado pouco abaixo do pontão sobre a Ribeira das Enguias, e por onde  antigamente  passava o caminho entre Rio de Mouro e  Mercês ;neste lavadouro,  ainda são visíveis as pedras onde ensaboavam e batiam a roupa,deve ter sido local de longas conversas, enquanto aquela ia ficando pronta para corar ao sol sobre a vegetação da margens.

Durava muito este trabalho, dando azo a longas conversa, daí vem o termo " lavar roupa suja " quando uma conversa entre vizinhas se prolonga.

Rústico local, tem encanto próprio das coisas simples , genuínas. Gostei de ter encontrado na manhã deste dia, durante o passeio, nunca antes havia reparado neste encantador recanto.

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ESTALAGEM LENDÁRIA NO CRUZAMENTO - RIO DE MOURO, ESTRADA DE SINTRA

Famoso albergue, conjunto hospedaria e restaurante, ficava sediado na Avenida Gago Coutinho, junto a Estrada Nacional 249, via ligação de Lisboa a Vila de Sintra.

Suponho terá funcionado , durante algumas décadas.Apesar de construção modesta ostentava aspecto distinto, colocação junto da entrada, placas de diversas instituições ligadas ao turismo, " recomendando " estadia; dava ao albergue  certa aura de respeitabilidade.

O jardim, do espaço envolvente, apresentava aspecto cuidado. A fama acerca da frequência da hospedaria,talvez, por maledicência característica da " tuga gente "  sugeria  local de encontros furtivos, e românticas escapadelas,de amantes ocasionais.

Verdade está documentado, na Gruta do Rio, assim se denominava o albergue,costumavam albergar-se, autores literários editados por conhecida editora, funcionou largo tempo, não muito distante da estalagem.

Existe relato conheço de prestigiado autor, ali pernoitou , na noite das grandes cheias ocorreram , em Novembro de 1967, provocando grandes estragos, e centenas de mortos, na região de Lisboa. Apesar de correr próximo a Ribeira de Rio de Mouro, a hospedaria não sofreu dano algum. 

O escritor em causa, na crónica escrita teceu elogios a comodidade do estabelecimento, simpatia dos empregados e do  " estalajadeiro ".

 No restaurante da " Gruta do Rio ",  frequentado por viajantes e habitantes das redondezas que elogiavam a ementa e serviço , e sendo os preços praticados, não  propriamente " populares ", nunca faltavam comensais.

Um dos pratos emblemáticos tinha nomeada, designava-se "bacalhau a gruta do rio" , não sei como seria a receita , infelizmente, nunca franqueei, a porta da albergaria, confesso, fiz tenção de experimentar o restaurante. Adiamento sucessivo, e as alterações, motivadas pela revolução de 25 Abril 1974, impediram cumpri-se o desejo.

A gruta do rio ainda funcionou alguns anos  depois de 74, no entanto, problemas económicos e laborais, conduziram ao encerramento; resta hoje edificio algo decrépito, não deixando antever antiga prosperidade.

A gruta , entrou no esquecimento, fazendo parte da história e lenda da Vila de Rio de Mouro.

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ORAGO DA CAPELA DE ALBARRAQUE

Albarraque,  é localidade da freguesia de Rio de Mouro, no Município de Sintra, o segundo concelho com mais população em Portugal.

Acerca da importância económica social e histórica, escrevi alguma prosa neste blogue, hoje deixarei de lado facto de Albarraque ser dos maiores pólos da industria dos tabacos a nível global, vou referir  particularidade de índole religiosa característica da aldeia.

Esta região é habitada desde tempo remotos, não admira como todas as povoações de vetusta idade , Albarraque, tenha capela onde antes da edificação da igreja da Sagrada Família, povo acorria, no cumprimento dos deveres religiosos.

Por volta de 1870, Pinho Leal no Portugal Antigo e Moderno, escreveu . " Nesta aldeia está a formosíssima capela de Nosso Senhor dos Aflitos, e cujo padroeiro se faz uma festa sumptuosissima.

A sagrada imagem do Crucificado é de primorosa escultura  de um valor inexcedível, e os povos destes sítios lhe consagraram uma grande devoção "

Ficamos saber há 150 anos, a capela seria da evocação do Senhor dos Aflitos. Actualmente é celebrada anualmente festa em honra de Santa Margarida, cuja imagem secular se venera no templo.

Em 1911, era referida simplesmente por  "capela de Albarraque", sem menção alguma a nome do padroeiro,

Desconheço quando canonicamente , deixou de ser da evocação de Nosso Senhor dos Aflitos, passando a protecção de Santa Margarida,

Dúvidas a parte, a imagem em marfim de Cristo Crucificado, é de grande beleza, sendo apresentada em exposições de arte sacra , como exemplo de grande valia,simbólica e muito bela.

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PRECONCEITOS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

A propósito da desgraçada pandemia, alastrando em boa medida pela incompetência de quem devia cuidar debelar o mal, sem  conseguir.

  Assistimos a  plêiade de  "entendidos " , sem qualquer fundamento lançam labeu,acerca periferia de Lisboa, concretamente, concelho de Sintra,  traçando cenário onde segundo tais luminárias pulularia  multidão de indigentes, espécie lumpemproletariado;esquecendo, por exemplo na Freguesia de Rio de Mouro, desses terrificos sitios, está sediado , colégio   classificado em segundo lugar, do País a nível do ensino básico , frequentado por crianças , desta freguesia e restante concelho sintrense, netos dos aqui moramos há dezenas de anos, e aonde aprenderam os pais.

As escolas publicas no concelho e freguesia estão igualmente bem colocadas no ranking.

Os preconceituosos  esquecem deliberadamente, facto do casco urbano da capital cada vez mais " oco " de moradores indígenas, conter zonas  problemáticas social e economicamente, em grau superior as apontadas  por   tais  "excelências".

Nestas bandas está crescendo nova realidade; surgindo tempo , pós-pandémico.

Antes muito antes do vinho do Porto aspirar ser sol engarrafado , já  vinho de Colares, afirmava esse designio em 1936 No caminho do Ocidente sempre fomos precursores 

Continuai  a vossa lenga-lenga;  vozes de burro não chegam ao Céu.

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PREGOS E BITOQUES - NOVAMENTE

Escrevi algum tempo nesta " tribuna "  os melhores pregos e bitoques eram os do " arco - íris " restaurante sediado na Av. Infante D. Henrique , perto da estação ferroviária na freguesia sintrense de Rio de Mouro.

Confesso ultimamente comecei  duvidar da justeza da minha apreciação. Felizmente posso hoje reafirmar, continua a ser o melhor sitio de toda área metropolitana de Lisboa para degustar os pitéus.Ontem pude verificar com satisfação a excelência da carne esmero da apresentação, simpatia do pessoal, quem tiver dúvidas vá lá e constate a  veracidade .

arcoi.jpg

Neste cartão, sem exagero, deviam substituir  termo " especialidades " por       "sumidades " , mais não digo,  esta genuína e ilustre casa  elevou  confecção da iguaria que  sintrense  Manuel Prego " inventou ", ao mais alto gabarito.

 

 

 

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