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Tudo de novo a Ocidente

RINCHOA DESAPARECIDA " O ROUXINOL " DA CALÇADA

O meu bairro, Rinchoa, antigo " estado livre", como lhe chamou Leal da Camara, integra o Município de Sintra, freguesia de Rio de Mouro. A exemplo do que sucedeu em muitos locais da area metropolitana de Lisboa, também aqui nas ultimas décadas, consequência de processo de urbanização acelerada, modificações na paisagem foram de monta.

Passado período da emigração em massa do campo para a cidade, durante anos 60 70 do século passado; depois chegada de milhares de compatriotas vindos das colónias,  na "ressaca" do processo descolonização. Avalanche de construção atenuou-se hoje praticamente, está parada.

A Rinchoa, nos anos 1980, ainda apresentava,alguns traços de ruralidade.Encontrei no arquivo, foto de sitio emblemático, onde na altura estava em laboração,um estabelecimento actualmente situado, noutro local do bairro.

Trata-se do "ROUXINOL", poiso certo para apreciar, no tempo asado caracóis, caracoletas assadas, pi-pis, pica-paus, pregos , bitoques,  Ah! cadelinhas, berbigão,búzios,  toda a espécie de marisco, sem esquecer, sardinhas nos santos populares...

Tudo confeccionado com esmero e sabor peculiar. Paravam no Rouxinol, muitos viandantes, e, também aqui vinham petiscar, gentes de outras zonas de Sintra, até de Lisboa.

No Rouxinol que conheço desde o inicio , durante anos, pontificou personagem popular,  fez no estabelecimento que era proprietário, durante, largos anos, as delicias da  clientela, com petiscos e imperiais, de " beber " inesquecível fruto do modo como eram " tiradas",  igualmente, a proverbial boa disposição e simpatia, contribuiam para atrair clientes.

Tudo deixou de existir na calçada da Rinchoa, fica imagem do sitio antes das construções terem " engolido " a paisagem.

arich.JPG

 

 

 

CAZAL DO ROUXINOL...

Em pleno centro da Rinchoa, um "bairro" de Sintra soalheiro e com uma vista deslumbrante para a Serra, encontra-se um EUCALIPTO, uma frondosa árvore com cerca de 20 metros de altura. Cresce numa propriedade cujo nome é: CAZAL DO ROUXINOL, conforme um azulejo colocado no muro onde se pode ver a data 1940. Não será errado atribuir o plantio do eucalipto por essa altura. Tem já uma provecta idade...

Estando no interior do casal e protegido pelos muros que a envolvem não sucederá a este eucalipto, o mesmo que vem num texto do livro de leituras do antigo ensino primário (hoje ensino básico) onde se lê:

"Era meia noite, quando um velho  eucalipto plantado à beira de uma estrada foi desassossegado no seu sono tranquilo por uma machadada no tronco, vibrada com alma por um camponês" (1958).

O eucalipto apesar de originário da Austrália tem uma grande difusão em Portugal desde o século XIX,quando começou a ser plantado.

O "cazal do rouxinol", confronta com a Rua da Capela assim denominada por ser onde ficava a capela da Rinchoa entretanto desaparecida.O nome do "cazal" presta tributo a uma ave frequente na região: o rouxinol, esta ave tem um canto melodioso que convida à vígilia noturna e faz esquecer o perigo que pode representar o dia. Na Rinchoa existem vários locais que referem directamente o seu nome como a "FONTE DO ROUXINOL".

Há uma quadra popular que lembra o carácter vigilante do pássaro: 

                                        

Nossa senhora disse disse disse

         Enquanto o "gavião" da videira subisse

     Que não dormisse que não dormisse

 

E esta cantilena, tenta reproduzir o cantar do pássaro...

 

RINCHOA, SÍTIO E MEMÓRIAS...

Há quem sem cuidar no que diz, afirme que as localidades objecto de uma urbanização intensa, perdem a sua "memória", passam a ser simples nomes sem qualquer ligação à história ou ao meio onde se situam.

Não é assim com a Rinchoa. Aqui há particularidades que atestam o passado e o viver dos seus habitantes ao longo dos séculos. Coisas interessantes que só é possível encontrar em aldeias do interior "profundo" de Portugal.

A Rua da Capela, onde se situava a ermida da povoação, cujo culto, era ainda citado no século XIX. A Estrada do Marques, que ligava a Quinta de Oeiras com a Granja de Sintra, ambas da Casa Pombal.

Curiosa é a antiga fonte de "chafurdo" que brota junto à sobreira centenária, referida num nosso anterior apontamento.

É a denominada Fonte do Rouxinol, recuperada em 1963. É exemplo dum modo de fornecimento de água às populações muito comum no nosso País até ao início dos anos setenta do século XX.

Quem  quiser conhecer como milhares de portugueses se abasteciam de água pode vir aqui admirar esta encantadora fonte, descansando um pouco nos bancos que existem junto à mesma, e constatar que mesmo no meio da urbe movimentada encontra o ambiente bucólico de tempos idos.

O nome Rouxinol, é vulgar na Rinchoa porque na Primavera e no Verão é possível de madrugada ouvir aqui o canto dessa ave encantadora...

Mais mistérios da Rinchoa, mas há mais... 

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