Ao carnaval de Lisboa
O nosso conterraneo Sintrense, Domingos Maximiano Torres,insigne membro da Arcádia Lusitana ,onde era conhecido por Alfeno Cynthio,um dos grandes cultores do soneto em língua portuguesa ,escreveu no final do século XVIII composição versando o periodo canavalesco na Lisboa daquele tempo.Dois séculos volvidos, pouco terá mudado ,a exemplo de antanho,é preciso muita lata e...peras.
Entre nuvens de talco,salta Isabela
Solto o cabelo,o rosto prateado
mostrando aos seus amores eclipsado
O vivo lume de uma ,e de outra estrela
Com as cheirosas linfas jonia bela
Molha o esbelto casquilho embonecado
que havendo-o por mercê fica curvado
o felpudo chapéu com os olhos nela
Nas esquinas da sordida travessa
a assustadora lata o ar atroa
a pálida laranja se arremessa
Largo brinde geral a Baco soa.
Colhe as presas da gula a morte a pressa
Eis aqui os entrudos de Lisboa.

