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Tudo de novo a Ocidente

QUEDA AGUA DE SACOTES - BELEZA INVERNAL DE SINTRA

Não posso deslocar-me livremente para onde quero, devo estar em casa cumprindo a norma. Hoje está dia de invernia com avisos, amarelos, e de outras cores.

Mar agitado, vento, e chuva a cântaros, lembrei, sitio em outras ocasiões, quando meteorologia, apresentava identico quadro, costumo visitar, para observar  torrente de agua esbranquiçada, que ao despenhar-se do alto morro calcário onde assenta a povoação de Sacotes, freguesia de Algueirão Mem-Martins. proporciona paisagem encantadora.

Agua de nascente perene, no Verão desaparece nas fendas da penedia;outrora alimentava o pantanoso algueirão, dos terrenos da granja do Marques, ao longo dos anos drenados por extensas valas de escoamento, que engrossam caudal da ribeira da Cabrela, rolando pela encosta da Fervença.

sacotesv.jpg

 

Não podendo ir ,deixo imagem captei antes do confinamento.

Toponímia Sintrense: A-dos-Ralhados

Na freguesia de Algueirão Mem-Martins, concelho de Sintra próximo da povoação de Sacotes deparamos com um sítio denominado: A dos Ralhados, um nome invulgar de significado obscuro e sem explicação conhecida. Decidimos investigar a sua provável origem: obtivemos informações curiosas  reveladoras do valor da microtoponímia para conhecer um território, as vicissitudes da sua ocupação e ler a paisagem esta quando desvelada  transforma-se em "livro" precioso.

Há algum tempo escolhemos para objecto de pesquisa Sacotes, povoado antiquíssimo lugar de segredo e mistério em breve daremos conta. Percorrendo a típica e singular aldeia albergando casas de alguma rusticidade, encontrámos a "Rua dos Arrolhados" curiosamente apontada ao caminho de terra batida um dos acessos ao sítio referido no título. Analisando o sentido, pareceu-nos ser uma expressão cheia de significado, um sinal que abriu pistas que possibilitaram resolver o "enigma"toponímico.

O nome deveria ser "A dos Rolhados", não ralhados esta palavra é uma adulteração do nome primitivo."Arrolhados" seria a designação correcta. Arrolhar significa sucintamente: tapar colocar uma rolha, conter, vedar uma vasilha. Arrolhar reportado à lida com  animais nomeadamente gado cavalar, quer dizer "dispor em círculo, apartar, cercar com vedação, vedar". No casal dos Arrolhados viviam os arrolhadores indivíduos cuja tarefa o "arrolhamento" consistia em controlar os cavalos no pasto e condução em manada para "cercados" onde os animais seriam contados e escolhidos para diversas utilizações. Perto encontramos nomes relacionados com equídeos: cavaleira, casal da cavaleira, moinho da cavaleira, casal dos cavaleiros a extensão das terras situadas de Sacotes até aos arrabaldes de Sintra, nos tempos recuados foram aproveitadas para criação de cavalos devido a abundância de água e pastagem: as "cavaleiras". Os nossos antepassados habitantes de A-dos-Arrolhados, exerciam uma actividade similar aos "cow-boys" celebrizados nos filmes de Hollywood. 

 

 

O CRUZEIRO DE SACOTES - SINTRA

Sacotes é uma localidade da Freguesia de Algueirão Mem-Martins, no concelho de Sintra. Situa-se numa colina sobranceira ao Algueirão (pântano), que depois de drenado permitiu a construção da Base Aérea nº1. Os terrenos desta infra-estrutura aeronáutica faziam parte  da Granja do Marquês e onde esteve instalada a Escola Agrícola de Sintra. Alguns dos habitantes de Sacotes eram trabalhadores  naquela propriedade, que pertenceu ao Marquês de Pombal. Sacotes é povoação antiga, no século XVIII, segundo a "CINTRA PINTURESCA" tinha 11 fogos.

Até 1974, o aspecto da aldeia seria idêntico ao de muitas povoações similares do interior do País, apesar de Sacotes ficar a 20 quilómetros de Lisboa, "as casas térreas ainda em muitos casos mostravam a pedra à vista, com um cunho de ruralidade que o tempo alterou devido à construção de muitas habitações "modernas". Do tempo em que Sacotes era um sítio de agricultores e pastores, resta um humilde CRUZEIRO, cujo despojamento  confere um encanto propício à meditação no Sagrado.

Sobre um bloco de mármore toscamente aparelhado, de cor ligeiramente rosácea, está uma singela cruz de pedra, o conjunto foi colocado no largo da povoação desprovido  duma envolvência que o cruzeiro merecia. Sem  artefactos alterando a rusticidade dos materiais  estamos perante um símbolo, místico, sem ostentação, singelo enfim, com a grandeza sublime das coisas SIMPLES.

O cruzeiro de Sacotes é um dos encantos desta Sintra onde temos o privilégio de habitar. Os que denigrem a nossa terra  fazem-no por despeito ou desconhecimento das singularidades que desfrutamos.

 

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