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Tudo de novo a Ocidente

O HOSPITAL AMADORA - SINTRA, NÃO EXISTE

O hospital que serve os municípios de Sintra e Amadora, construído como corolário do projecto do Hospital Ocidental de Lisboa, cuja implantação deveria ser nos terrenos do Parque Florestal de Monsanto e que chegou a ser adjudicado  pouco tempo antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, na sequência das alterações sociais e políticas que se seguiram, o processo parou. Retomado mais tarde, foi construído no local onde hoje está em terrenos pertencentes ao Estado Português.

A unidade hospitalar é vulgarmente designada por incúria ou preconceito, hospital Amadora-Sintra, contrariamente a hospitais semelhantes, por exemplo o Garcia de Orta nunca ouvimos referir por "hospital Almada-Seixal". Acintoso hábito, talvez, com a intenção de lançar o labéu de descriminação injustificada da região servida pela unidade  hospitar, e também porque aqueles que se autoproclamam "comissão disto e daquilo ", desejam que o desconforto e a animosidade perante o "anonimato ", conduzam as populações a um sentimento de rebeldia conducente a garantia do voto de protesto em actos eleitorais.

No presente caso omitir o nome do patrono do hospital, é acto de incultura e ingratidão porque a homenagem que se pretendeu perpetuar é merecida.

O professor Doutor Fernando da Conceição Fonseca, ilustre médico, catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa, cidade onde nasceu em 1895, e igualmente faleceu em Julho de 1974.

Investigador de renome mundial na área da bacteriologia e no controle do colesterol.Participou na primeira guerra mundial, integrado no serviço de saúde militar. Depois do conflito concluiu o doutoramento em medicina na Universidade de Berlim. Durante a segunda guerra mundial (1939-1945), aprofunda os seus estudos e é nomeado através de concurso público, docente na Universidade de Lisboa. Por essa altura, conheceu o Senhor Calouste Gulbenkian aquele magnata chegou a Portugal gravemente doente, o Professor Fonseca, chamado para observar curou a enfermidade.Este facto proporcionou o desenvolvimento de uma grande amizade entre ambos.Em 1947, participou numa reunião do MUD, movimento de unidade democrática de oposição á ditadura Salazarista. Nessa ocasião proferiu um violento discurso onde denunciou o estado de atraso lamentável do serviço de saúde em Portugal.Claro foi demitido da função pública e impedido da docência universitária. O seu amigo Professor Gentil Martins, salazarista convicto, conhecedor da competência científica de Fernando da Fonseca, mandou instalar no IPO de Lisboa um laboratório onde aquele pudesse continuar as suas investigações, e informou Salazar da decisão. O ditador que dedicava grande admiração ao Professor Gentil teve de se resignar. Mais tarde não quis  ser readmitido no serviço do Estado.

Terminada a segunda guerra mundial o senhor Gulbenkian pensou partir para os Estados Unidos da América, todavia somente iria se o Professor Fernando Fonseca o acompanhasse. O médico recusou o convite e o milionário decidiu ficar em Portugal até ao fim, porque só confiava a sua saúde aquele clínico. Calouste Gulbenkian resolveu criar a fundação que tem o seu nome, pediu a colaboração do Professor este, apresentou-lhe o advogado, Azeredo Perdigão a quem o milionário encarregou de redigir os estatutos da instituição.

O Professor Fernando Fonseca por vontade do patrono da instituição,foi nomeado administrador vitalício A existência da Fundação Gulbenkian,ficou a dever-se em grande medida,ao sábio e competente médico, porque se tivesse aceite a proposta de acompanhar Gulbenkian não teríamos a fundação que tantos e tão relevantes serviços tem prestado a Portugal e aos Portugueses.

 É de elementar justiça, citar sempre o hospital pelo nome do seu patrono, para que a memória de quem honrou a ciência a Pátria e a democracia se não perca. Viva o HOSPITAL FERNANDO FONSECA, abaixo o "Amadora-Sintra"..PIM: 

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UM FERRADOR QUE TRATAVA DA SAÚDE EM SINTRA NO SÉCULO XIX

Face aos problemas relacionados com os cuidados de saúde, que são devidos á população, e que de amiúde são motivo de justas reclamações, tanto pela insuficiência das instalações para o atendimento, quer por falta de pessoal médico de enfermagem, e administrativo. Poucos farão uma pequena ideia de como seria prestada a assistencia sanitária aos habitantes de Cintra - como então se escrevia,nos anos 80 do século XIX, e  por isso iremos contar sem qualquer comentário o seguinte: Quer Sua Magestade que o governador civil estranhe ao administrador do concelho (de Cintra), a indiferença com que ele tem olhado para o facto de se  achar um simples ferrador tratando doentes, e exercendo a profissão médica, facto que sendo um crime punido pelo artigo 236º & 2º do codigo penal, ele tinha duplicada obrigação de reprimir, ou como autoridade de polícia, ou como sub-delegado do conselho de saúde, e que lhe ordene levante logo os autos de investigação necessários sobre os actos criminosos daquele individuo, aos quais  se alude no relatório do comissario do conselho de saude, e os remeta ao ministério público,para instaurar o comptente pocesso criminal. E da execução desta portaria dará o governador civil oportunamente conta.

 

Paço,em 18 de Fevereiro de 1868--Duque de Loulé

 

Apesar de tudo o povo nem sempre quer saber dos avisos e recomendações e continua a proceder como se não houvesse problema algum quando é avisado. Curiosamente existe uma artéria a RUA DO FERRADOR, na zona de Albarraque Freguesia de Rio de Mouro. Terá alguma relação com a determinação legal enunciada? Não sabemos;pode ser uma homenagem ao "falso médico"e não é caso para estranhar. Atente-se no que escreveu ( António Ferro-1933), em entrevista que lhe concedeu o Professor Oliveira Salazar, o qual afirmou "Basta ver as reacções do nosso povo. diante dos grandes crimes (...) o primeiro movimento é de violência de rancor, quase ódio  contra o criminoso, mas depois do julgamento quando há condenação aparece logo um movimento de compaixão, coitado ! Pobre homem! Bem basta o que já sofreu... A. Ferro perguntou ao Dr. Salazar: Mas isso não prova a bondade natural do nosso povo? resposta do ditador: "aquilo a que nós chamamos bondade natural não passa dum sentimentalismo doentio". Se calhar foi isso que deve ter "salvo" o ferrador, que tratava da saúde  em Sintra aos "animais" de toda a espécie  no ano da graça de 1868.

 

 * Rua do Ferrador em Albarraque

 

QUANDO "SALAZAR" ATERROU NA BASE AÉREA DA GRANJA DO MARQUÊS

A ocidente há sempre novidades, gostaríamos de partilhar uma delas com quem nos "visita".

No já distante dia 2 de Fevereiro de 1935, realizou-se no então denominado Aeródromo da  Granja do Marquês, aqui em Sintra, a cerimónia de recepção de uma nova unidade de avião destinada á Força Aérea da Armada. Por essa altura, na Europa, parecia que os ventos estavam de feição para as correntes politicas totalitárias e antidemocráticas, em Portugal os sentimentos germanófilos iam ganhando adeptos. Na Assembleia Nacional aprovou-se a lei contra as sociedades secretas visando sobretudo a maçonaria, que motivou um artigo de Fernando Pessoa insurgindo-se contra tal deliberação, publicado no Diário de Lisboa de 4 do mesmo mês. O Estado Novo "legitimado" pela Constituição Política de1933, assumia que acima de tudo se devia glorificar o seu líder. Até o Presidente da República General Carmona na sessão inaugural da Assembleia Nacional na sua mensagem afirmava"é de elementar justiça destacar a acção altamente patriótica e tão eminentemente notável, do Presidente do Conselho,António de Oliveira Salazar".

Como na ideologia do Estado Novo, a primazia devia ser dada à "existência de um Exército e de uma Armada valorizados pela posse de uma técnica perfeita e suficientemente providos de meios materiais".Dado o desafogo do Tesouro Público ter sido alcançado aqueles meios poderiam ser adquiridos, isso foi feito, assim na data referida um Sábado,poisou em Sintra uma aeronave para equipar as Forças Armadas. Os destinatários da mesma atribuíram-lhe, como homenagem "ao mago das finanças" o nome: Salazar.

E aqui fica desvendado o local onde o ditador primeiro "aterrou",há precisamente 75 anos.

 

 

Foto Propriedade do Arquivo Nacional Torre do Tombo
Título: O avião Salazar ao aterrar na Granja do Marquês, em Sintra. 

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