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Tudo de novo a Ocidente

A RUA

A denominação das artérias e outros caminhos  dos aglomerados urbanos, normalmente,tem por finalidade perpetuar factos, pessoas elementos da paisagem,animais, calamidades etc...

A toponímia das povoações é valioso repositório para conhecer a história e singularidade dos sítios.

Deparamos, recentemente num recanto da freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra, Área Metropolitana de Lisboa, uma rua dos "GONÇALVES". Face à "descoberta" indagámos a origem do topónimo. Descobrimos que o motivo da designação é a circunstância de residirem ali significativo numero de pessoas de apelido "gonçalves".

Esta particularidade deve estar relacionada  com Asfamil aldeia próxima, antigamente conhecida como "A-DAS-FAMÍLIAS". Parece que o sentimento de pertença a "clã" familiar tem aqui tradição arreigada.

A unidade familiar, sinal de coesão entreajuda é digno de louvor, outra coisa  será, justificar com essa premissa a atribuição a uma rua  o nome da família maioritária que nela reside. Se a moda fosse regra, teriamos as ruas dos "silvas", dos "ferreiras", "fernandes", "costas", "coelhos" etc, etc...

A placa da rua ,deve ter sido colocada por ordem da Câmara municipal, a execução paga pelos contribuintes, objecto de deliberação da vereação da edilidade.

Simbolicamente a rua começa no "beco das vaidades" continua pela "azinhaga do caciquismo" e finda no "largo do espanto". Enfim!...

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TOPONÍMIA SINTRENSE - Serra das Ligeiras

A Serra das Ligeiras está situada na freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra na área metropolitana de Lisboa, Portugal. Do cume vislumbra-se amplo panorama, desde a Serra da Carregueira a norte, Serra de Sintra a oeste, a sul Oceano Atlântico. Nela existiam as antigas minas de ferro de Asfamil que nos ocupamos já neste espaço. Actualmente nas vertentes da elevação, encontrámos propriedades de apreciável dimensão, aproveitadas para a cultura de trigo e forragens. Os terrenos estão limpos, por isso nestas paragens é possível observar aves de rapina, águias e milhafres, na faina da caça, belo  espectáculo, quando planam no ar, e depois em  voo picado veloz na direcção do solo para atacarem coelhos, ratos e por vezes outros passáros.

As terras das Ligeiras, pertenciam a moradores da aldeia de ASFAMIL, povoado de tipo comunitário, o nome significa A-DAS-FAMÍLIAS. Os terrenos circundantes seriam de fruição comum, a maioria ficava na serra. LIGEIRAS, quer dizer união de uma coisa com outra, laço, vínculo, o prefixo Lig, significa, empenhar a palavra, fechar, cerrar, envolver. A exploração da terra seria feita de maneira consensual sem dificuldade simples e informal, sem constrangimentos, isto é: ligeiramente.

O topónimo igualmente está em concordância com o aspecto do sítio "airoso,agradável, com boa vista", enfim "ligeiro".

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Os nomes "tecendo " a história de uma aldeia Sabugo-Sintra

Algumas vezes por feliz acaso a toponímia das artérias duma povoação,é fonte preciosa de informação para se desvendarem aspectos relevantes da sua história.

A aldeia do Sabugo,integrada na associação de freguesias de Almargem do Bispo ,Montelavar e Pêro Pinheiro,  no municipio português de Sintra,situada junto á antiga estrada real de Lisboa a Mafra,passando por Belas,mantem importantes vestígios do casario primitivo,caracterista que faz desta povoação uma das mais pitorescas da região saloia.A actividade agricola foi predominante durante séculos, reflexo disso, ainda existe no Sabugo um posto de venda de produtos agricolas,propriedade da Cooperativa Agrícola do Concelho.Porque era ponto de passagem os almocreves e viajantes, aproveitariam para descansavam as suas montadas na aldeia, razão  pela qual a vereação da Câmara Municipal de Sintra, deliberou mandar construir no ano de 1782, fonte e bebedouro aproveitando uma copiosa nascente.

A água alimentava também o tanque de um lavadouro onde as mulheres aldeãs lavam roupa, sua e dos fregueses de Lisboa clientes das "lavadeiras" do Sabugo.Esta faina foi o ganha pão de gerações. Curiosamente o rancho folclórico da aldeia denominava-se "lavadeiras do Sabugo".Para transporte da roupa de e para Lisboa utilizavam-se carros puxados por gado muar, mais a miúde os rústicos "burros saloios" que mestre Roque Gameiro imortalizou nas suas aguarelas.Para acondicionar a carga os jericos eram "equipados" com albarda,ou seja uma cobertura cheia de palha que se colocava no dorso das bestas de carga,tipo de sela grosseira geralmente de estopa. Os artesãos frabricantes  deste utensílio eram conhecidos por "albardeiros".No Sabugo este ofício deveria ser importante.Na localidade deparamos com "Travessa dos Albardeiros".A necessidade desta profissão resultaria do elevado numero de animais de carga a albardar.Um bom exemplo da utilidade dos topónimos para investigar as comunidades rurais.

ORIGEM DO TOPÓNIMO RINCHOA

Primeiro uma explicação sobre a designação do BLOG..

 

NOVO algo que tínhamos pensado e que só agora se começa a concretizar.

 

OCIDENTE a direcção correcta do caminho da busca e da partilha .

 

Para inicio o significado do topónimo RINCHOA até agora desconhecido .

A construção que vai cobrindo o solo ao mesmo tempo que deforma a paisagem varre da memória colectiva as referencias culturais, ambientais e históricas de cada sitio encerra por mais pequeno que seja.

 

Por olvido e adulteração paisagística os locais parecem anodinamente iguais. As urbanizações um pouco por todo o lado transformaram em LOTES a memória e alma a eles associadas.

 

Todavia,alguns sítios conseguiram manter características que os diferenciam e individualizam, um desses é a RINCHOA. Entre outras o seu nome único em Portugal talvez fosse a razão de pelo menos o topónimo não tivesse sido preterido em favor de uma urbanização "não sei das quantas", e continue como sempre Rinchoa. Isso também se ficou a dever a LEAL DA CÂMARA pela divulgação que promoveu da localidade.

 

O significado do nome dos sítios , a microtoponímia , é um caminho difícil de trilhar, mas  indispensável para conhecermos melhor os factos históricos sociais e geográficos com eles relacionados e que lhe atribuem uma identidade. É um trabalho árduo descodificar o significado do nome de um sitio sem cair em interpretações lendárias ou fantasiosas sem fundamentação e por isso controversas.

 

O nosso interesse em descobrir significado de RINCHOA, é um objectivo antigo. Procedemos a laboriosas investigações cujo resultado quero divulgar na convicção de ter chegado a bom  porto, mas nunca estamos a coberto duma evolução do saber acrescentar algo...

 

No actual "estado da arte" a solução encontrada é verosímil .

 

Durkheim ensinava "que devemos fugir da evidencia das coisas porque nada é tão simples como aparenta". A RINCHOA mais do que uma povoação foi durante muito tempo um espaço

diferenciado do território Sintrense.

 

Segundo a enciclopédia luso -brasileira (por extensão o nome é dado à região entre o Cacém e Sintra, abrangendo parte das freguesias do Algueirão e Stª Maria e atravessada pela linha férrea Lisboa a Sintra . É a zona mais pitoresca e agradável da charneca que separa Sintra da capital).

 

Este aspecto é importante para fundamentar a interpretação do topónimo. No sec . XVIII a RINCHOA pertencia à vintana do Algueirão e teria poucos moradores , pois tinha em 1940 em 80 habitantes.

 

A RINCHOA  era a fronteira entre os concelhos de Sintra e Belas e o termo de Lisboa que terminava na ponte da Agualva. É uma pequena "mesopotâmia " entre a Ribeira das Jardas e a Ribeira de Rio de Mouro. Desde o cimo a 200mts de altitude  descem duas encostas de pendente suave

 

Esta particularidade geográfica foi relevante no desenvolvimento das nossas pesquisas e, importante para decifrar o topónimo objecto das mais desencontradas explicações. Eu interpelado várias vezes não tinha conseguido encontrar uma resposta consistente.

 

Estabelecemos a hipótese da raiz do étimo ser de origem vegetal porque em redor quase todos os nomes estão relacionados com a flora:

 

ABRUNHEIRA FITARES (fetares ) CASAL DA MATA PAIÕES CARRASCAL...

 

Era uma pista a explorar .As pesquisas sobre a RINCHOA conduziram-me à obra do Professor J.Joaquim Nunes autor do estudo "A VEGETAÇÃO NA TOPONÍMIA PORTUGUESA" onde escreveu: «compreende-se, facilmente que as plantas que mais abundavam ou o arvoredo que em maior quantidade se encontrava nos arredores dos sítios habitados deviam ter exercido influência bastante notável na sua nomenclatura e ter sido um dos factores que mais contribuíram para dar aos lugares os seus nomes».

 

Não era ela que desempenhava um papel importantíssimo na vida na vida dos seus habitantes, alimentando-os com os seus produtos?

 

No caso da RINCHOA dominante era constituída por sobreiros, carvalhos, medronheiros e carrascos de que ainda hoje há reminiscências. Habito na RINCHOA desde 1973 e recordo-me como era a Quinta de Fitares com carvalhos e sobreiros .Aliás uma das mais antigas árvores existentes na RINCHOA é a centenária sobreira sobre a fonte do rouxinol junto  à Calçada da Rinchoa.

 

Com base na flora para descobrir o significado de RINCHOA estabelecemos duas hipóteses :

 

 - Uma, seria a que RINCHOA derivaria de Rinchão que é o nome dado a uma erva anual, chamada erva ALHEIRA, uma planta medicinal. Trata-se de um vegetal que não é perene o que torna pouco credível esta hipótese, mas Rinchão é também segundo Morais "Uma espécie de pêra, fruto de pereiras bravas". Foi por esta via que o nosso trabalho prosseguiu.

 

Segundo os professores J. Amaral e M.L . Rocha na sua tese "Das pereiras bravas portuguesas", esta é espontânea na Estremadura, desenvolvendo-se até 800 metros de altitude em terrenos de diversas formações geológicas, mas sempre na zona seca, queda anual de chuva de 400/700 milímetros e em formações de carvalhos, sobreiros e carrascos em toda a área geralmente em indivíduos isolados ou formando pequenos grupos nas extremidades das linhas de água e, nas vertentes para estes".

 

Nos anos 60, estes professores detectaram exemplares de pereiras bravas ao quilómetro 11,3 da estrada nacional 117 e na E.N . 249/4 na Abrunheira. Ficou demonstrado que as pereiras bravas se dão nesta região.

 

Em tempos recuados, devia ter sido um povoamento importante, mas as gentes da região segundo o professor Joaquim Fontes, foram sempre inimigas das árvores porque suponham que as árvores "chupam tudo" e vá de cortá-las rente ao solo.

 

O pirus comunnis " ou pereira brava também chamado catapereiro pilriteiro , cachapirro , carateiro ou escambroeiro , é o porta enxerto para se obterem pêras mansas. Em 1942, o regente agrícola o Sr. Guilherme Joaquim da Mata, numa conferência realizada sobre os auspícios da comissão de iniciativa da RINCHOA- Mercês aconselhava o pirus comunnis " como "cavalo" para a enxertia de pereiras, nessa altura era ainda pelo visto, vulgar na RINCHOA.

 

Voltando à espécie de pêra que Morais e Bluteau designam por Rinchão , "este é o fruto do pirus comunnis " conforme dicionário Houaise da Língua Portuguesa volume XXVI página 7035, também se designa por RINCHOEIRO ".

 

Rinchoa significa pois, terra de RINCHOEIROS ou pereiras bravas. E porquê tal certeza?

 

A RINCHOA teria de ser uma terra abundante de peras porque desde sempre uma das especialidades da Feira das Mercês é a pêra parda cozida ou pêra assada. Mesmo outro pitéu associado aquela feira - Carne Porco às Mercês - está relacionado com a abundância de fruta porque a engorda de porcos antigamente fazia-se com recurso a verduras e à fruta que caia ao chão.

 

Perto da RINCHOA, ficavam os pocilgais " hoje Pexiligais e o casal dos porqueiros. Meleças , sítio do mel, está relacionado com a abunbdância de flores das árvores de fruto.

 

Supomos ter demonstrado que RINCHOA é em lato senso: Terra de Pereiras, mata de rinchoeiros ou pereiras bravas que produziam rinchões ou quando o fruto era mais pequeno rinchoas .

 

Finalmente, seria apropriado que se plantassem nas rotundas da RINCHOA, quais monumentos vivos, pereiras bravas ou rinchoeiros como memória das árvores que deram o nome à RINCHOA.


 

                                                                                                                                   

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